Tinariwen, a voz do deserto

Publicado: 27 de fevereiro de 2012 por stephanie100africa em Mali

Nos anos 80, Ibrahim, Abdalah, Hassan, japonais e Kheddou começam a tocar juntos na região localizada entre as oásis de Tessalit, no Mali, e de Tamanrasset, na Argélia. Lá, eles tocam para animar festas, casamentos, batizados, etc… Eles vão também ficar algum tempo num campo de treinamento na Líbia, antes de começar, no fim dos anos 80, a rebelião tuareg, na qual eles vão participar de maneira ativa no sul do Saara. Em paralelo ao engajamento militar deles, as gravações que tinham feitos em fitas artesanais servem a divulgar os recados de um movimento que pretende promover os direitos dos povos tuaregs. Por isso, a imagem que vem ao espirito quando se fala deles é a visão de rebeldes tuaregs com uma arma na mão e uma guitarra na outra.
Em 1994, no fim do conflito, Tinariwen se torna o porta-voz de uma população que assiste a destruição do seu mundo.
Cantando o desespero do seu povo, o grupo, que passa também por mudanças na sua formação, vai se profissionalizando, tocando no mundo inteiro, participando de festivais internacionais, celebrados pela imprensa…
Abandonando a guitarra para voltar a suas origens, o grupo lançou em 2011 seu quinto álbum, integralmente acústico e gravado no deserto argelino, em Tassili´N´Ager. Não gravou em Tessalit, sua base no norte do Mali, por causa da situação complicada na região e do reinicio dos conflitos.
Foram 3 semanas de gravação, com o barulho do vento, a areia que infiltra os instrumentos, e todas as outras dificuldades ligadas a uma gravação no meio do deserto. Três semanas de gravações não formatadas, deixando os músicos seguir sua inspiração em torno da fogueira, como registrado nesse clipe sobre as sessões de gravação:

O álbum transmite as emoções da comunhão dos músicos com o deserto. E um álbum triste também, preocupado com esse povo tuareg, que luta para sua sobrevivência psicológica, cultural e física.
Tinariwen ganhou, com esse álbum, o premio Grammy Awards 2012, na categoria Musica do Mundo, na frente do grupo Afrocubism (Cuba), do nigeriano Femi Kuti e do sul africano Ladysmith Black Mambozo, os outros nomeados nessa categoria.
Essa premiação acontece numa época muito perturbada no norte do Mali, com a volta dos conflitos entre rebeldes tuaregs e governo na região.

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