Ali Farka Touré, uma estrela enraizada na terra

Publicado: 3 de maio de 2012 por stephanie100africa em Mali
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Monstro sagrado da música africana e considerado como um dos maiores guitarristas do século, Ali Farka Touré, ao contrario de muitos artistas africanos, nunca cedeu à tentação do exilio no Ocidente e sempre ficou fiel a sua terra, cultivando ela até sua morte.
Nascido em 1939 na aldeia de Kanou, próxima ao rio Niger, Ali Ibrahim Touré vem de uma família nobre originaria da etnia sonrhai. Decimo filho dos seus pais e o único a sobreviver, por isso ganhou o apelido de “Farka”, que significa burro, animal de força e de resistência física. Seu pai, mandado no exercito francês durante a segunda guerra mundial, faleceu enquanto Ali ainda era criança. Depois da guerra, a família muda-se para Niafunké, uma pequena cidade localizada a 200km de Tombouctou e aonde Ali ficou até morrer.
E lá, nessa região principalmente agrícola, que Ali vai se formar, sem nunca ir à escola, ao contato da natureza, trabalhando nos campos. Se sua família não tem tradição musical (por causa da sua casta nobre, a musica sendo reservada a casta dos gritos), o jovem Ali se interesse muito cedo a musica, omnipresente nas cerimônias, e construí com apenas 12 anos seu primeiro instrumento, um jurukelen.
Ali aprende a tocar vários instrumentos tradicionais como o gurkel ou o njarka, mas é em 1956 que acontece a revelação: durante um show do violonista guineense Keito Fodeba, ele descobre a guitarra. Ele entende então que sua vocação é realmente a musica.
Motorista de taxi ou de piroga para viver, Ali continua a tocar e começa a compor musicas com bases tradicionais. Nessa época, Ali Farka Touré encontra o grande escritor e intelectual Amadou Hampâté Bâ, com quem vai percorrer o Mali ao encontro da cultura oral tradicional.
Em 1960, o Mali proclama sua independência e Ali Farka Touré começa a tocar em profissional e participa do grupo Troupe 117, grupo criado pelo governo maliense para promover a cultura regional. Em 1968, Ali Farka Touré faz sua primeira viagem fora do continente africano na ocasião do Festival Internacional das Artes em Sofia (Bulgaria) e aproveita para comprar seu primeiro violão.
E nessa época que Ali descobre o som norte-americano, especialmente o blues, como John Lee Hooker, que o impressiona pelo fato que “essa musica vem daqui”, ele reconhece nela as sonoridades da musica do povo Tamascheks do Norte do Mali.
Nos anos 70, Ali Farka Touré integra a orquestra da Radio Mali (até 1973) enquanto trabalha como técnico do som no mesmo local. Ele inicia então sua carreira solo e produz algumas gravações que manda para a editora SonAfric em Paris. Alguns meses depois, é lançada sua primeira cassete, que será seguida de mais 6, gravadas em Bamako e lançadas em Paris.
Em 1987, Ali Farka Touré toca pela primeira vez na Inglaterra e grava seu primeiro álbum para o label inglês World Circuit. Os anos seguintes, são turnês na Europa, Japão e Estados-Unidos, 3 albums, “The river”, “The source” e “Talking Timbuctu” com Ry Cooder, vencedor do premio Grammy Awards.
Apesar do seu enorme sucesso internacional, Ali Farka Touré continua a passar a maior parte do seu tempo na sua terra, em Niafounké, aonde cuida da sua terra e dos seus numerosos filhos e desenvolve projetos de irrigação. Ali Farka Touré apoiou também muitos jovens artistas, tendo criado também um estúdio e uma gravadora em Bamako.
Em 1997, ele anuncia ao mundo que se aposenta definitivamente da carreira de musico para se consagrar exclusivamente a agricultura. Declarando “nos meus papeis, esta escrito artista, mas na verdade eu sou cultivador” tem projetos para contra o êxodo rural.
Ali Farka Touré volta finalmente com o disco “Niafunké” em 1999, gravado num estúdio moveu na sua terra Niafunké. Depois de aparecer em 2 documentários, ele recidiva com o álbum “In the Heart of the moon”, gravado em 3 sessões de 2 horas num estúdio moveu de Bamako com seu amigo Toumani Diabaté, o grande tocador de Kora. Lançado em 2005, o álbum encontra um enorme sucesso e Ali é recompensado o ano seguinte, em fevereiro 2006, pelo premio Grammy Awards, o segundo da sua carreira, que ele recebe junto com Toumani Diabaté. Ali Farka Touré falece menos de um mês depois, no dia 7 de março.
Mas seu blues continua de comover o publico, tanto no continente africano que no ocidente, um blues que ele soube interpretar tão bem porque, como ele mesmo dizia, o blues vem da África, “eu tenho as raízes e o tronco”.



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