Tiken Jah Fakoly, o reggae do griot-guerreiro

Publicado: 11 de maio de 2012 por stephanie100africa em Costa do Marfim, Reggae africano
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Tiken Jah Fakoly, o reggae revolucionario
Figura incontornável do reggae africano, Tiken Jah Fakoly é também o porta-voz da jovem geração da África ocidental frente às dificuldades politicas. Pan-africanista convencido, artista engajado, cantor carismático, Tiken Jah Fakoly conquistou um vasto publico tanto no continente africano que na Europa e nos Estados-Unidos.
Nascido em Odienné, no norte-oeste da Costa do Marfim, em 1968, Tiken Jah Farkoly é o terceiro filho de uma família de griots e o descendente de um grande chefe guerreiro malinké, Fakoly Koumba Fakoly Daaba. Naturalmente atraído pela musica desde cedo, Tiken monta seu primeiro grupo, Djelys, por volta de 1987, com qual vai conhecer uma certa notoriedade.
Nos anos 90, o grupo Djelys (djelys significa griots em malinké) e Tiken conhecem muito sucesso na Costa do Marfim e lançam seus primeiros álbuns. O pais esta passando por uma fase de muita violência depois da morte de Houphouët Boigny, que reinou na Costa do Marfim de 1960 a 1993. E nessa época que Tiken Jah Fakoly escreve seus primeiros textos sobre a situação politica, que ele denuncia, o que lhe vale uma grande popularidade na juventude. Em 1996, Tiken escreve o titulo Mangercratie, um texto reivindicando regimes políticos, “craties”, assegurando os direitos do povo, incluído o direito de comer, e não o contrario.
Apesar das tentativas de censura, esse álbum é a fonte do seu enorme sucesso, em solo agora, na Costa do Marfim. Tiken Jah Fakoly participa de todos os festivais nacionais, e pouco a pouco conquista também os palcos europeias, africanos e norte-americanos.
“Cours d´Histoire”, “Le Caméléon”, “Françafrique”, “Coup de gueule”, “L´Africain” ou “African Revolution”, seu ultimo álbum lançado em 2010, tantos discos de revolta, tantos textos de denuncia, da corrupção da elites, do neocolonialismo, chamando o povo africano a se levantar e se mobilizar…
Textos engajados, ações engajadas, como os shows “Um show, uma escola”, que Tiken organizou em vários países africanos, usando os benefícios para a construção ou a reabilitação de uma escola, discursos também, o que lhe valeu 5 anos de exilio em Bamako, e de ser mais recentemente considerado pessoa non grata no Senegal de Abdoulaye Wade depois das suas declarações pedindo ao presidente senegalês de se retirar do poder (nota: depois de um processo democrático, A. Wade não foi reeleito e deixou o poder).
Disco de ouro, artista premiado, dono de um bar em Bamako e de um estúdio de gravação, Tiken Jah Fakoly é hoje um artista consagrado e reconhecido no mundo inteiro.
Corajoso, militante, talentoso, Tiken Jah Fakoly lançou em 2010 um álbum bem diferente dos seus precedentes discos, com sempre as suas temáticas prediletas, mas gravado pela primeira vez no seu estúdio de Bamako, depois de ter colocado as rítmicas nos místicos estúdios Tuff Gong na Jamaica, um disco que mistura o reggae com sonoridades africanas, o som magico dos instrumentos tradicionais mandingue como o ngoni, a kora, o soukou ou o balafon.
Chamando a juventude a se conscientizar, a ir para escola (“Go to school, Brothers… inteligente revolution is African education” : Vão para escola irmãos, a revolução inteligente é a educação africana), denunciando como sempre a corrupção das elites (“Je ne veux pas ton pouvoir, pas besoin d´argent, je ne veux pas de ta gloire, je veux l´espoir”:eu não quero seu poder, não precisa de dinheiro, não quero sua gloria, quero esperança), esse disco é também um grito de tristeza, como a canção Vieux père que denuncia o desemprego massivo e a mendicidade: “Je suis revenu après 5 ans d´exil, des millions de jeunes sans boulot, tous la main tendue…” (Voltei de pois de 5 anos de exilio, milhões de jivens sem emprego, de mão esticada).
Um disco entre tradição e modernidade, como o continente africano.


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