Entrevista exclusiva com Stromaé

Publicado: 6 de abril de 2015 por stephanie100africa em # África, Conexão Africa 100.1FM
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STROMAE e equipe 2015

Nossa entrevista exclusiva http://www.conexaoafrica com Stromaé:

Com a tradução:

Julie: Bom dia. Do seu verdadeiro nome Paul Van Harver, sabemos que você é belgo e ruandês também. Pode nos falar da sua infância e da sua relação com seu pai?

Stromaé: Minha relação com meu pai e minha infância… Minha infância é uma infância modesta em Bruxelas. Modesta mas nunca faltou de nada. A gente comia todos os dias, mas é verdade que a gente não tinha as ultimas Nike na moda… E isso. E meu pai voltou pro Ruanda quando eu tinha 3 anos. E ele morreu durante o genocídio.  Mas ele fez algumas ida e voltas na Bélgica então eu o vi algumas vezes, mas na verdade eu não conheci muito ele. Para mim era uma noção abstrata porque eu não sabia. Eu via nos meus amigos, mas em casa foi um pouco o irmão mais velho que pegou um pouco esse papel. Depois acho que a tinta africana que eu tive foi via muitas tias que tinha em Bruxelas, que não eram ligações de sangue mas que… Tinha tias do congo, do Camarões, de vários lugares e fez uma tinta africana através do prisma europeia. E isso.

Stephanie: Stromaé, tudo mundo conhece seu sucesso, sua historia recente, a explosão com Alors on danse, a confirmação em 2010 com o álbum Cheese, e depois a consagração com o álbum de 2013. Queria saber  qual é seu olhar sobre esse sucesso – você é chamado de Brel techno, é enorme e no mesmo tempo justificado, eu te descobri através das festas dos meus filhos e os textos são muito profundos

Stromaé: obrigado

Steph: Qual é seu olhar sobre esse sucesso que é no mesmo tempo fulgurante, estável ja que ele se confirmou, e inter-generacional  porque ele toca tanto as crianças que os adultos?

Stromaé: Estável é gentil mas depois de 2 álbuns é complicado. Depois, ele é fulgurante, não posso negar, e não fui eu que escolhi. Inclusivo só posso ser agradecido com a atenção de todos, sempre sou eu que faço o belo na frente das câmeras mas tem muitos que trabalham tanto também. Então, mas eu acredito que especialmente depois do ano passado, porque tenho um pouco de distancia com o ano passado, eu vejo que me machucou um pouco, isso devo admitir também, no sentido que penso que o sucesso é violento, e extraordinário carrega bem seu nome, no sentido que é extraordinário tanto no positivo que no negativo. E acho que é tão rápido que faz pequenas feridas. Mas é sempre difícil de reclamar porque é tão legal e a parte negativa é tão mínima e tão difícil a ver, e raramente durante a euforia. Então é dificil reclamar. Ainda mais que sou de natureza a reclamar. Mas isso era sobre a parte sucesso. E o resto, não me lembro?

Steph: inter-generacional

Stromaé: Ah, sim! Para mim é um dos elogios mais bonitos. Não pode fazer melhor como elogio que uma criança de 5 anos e seu avó dançando na mesma canção. E as vezes tem pais que estão constrangidos de dizer, eu não tenho idade de ouvir sua musica mas… Você tem direito de ouvir o que você tiver vontade de ouvir, Senhora… E eu fico constrangido de ter pessoas que tem 2 vezes minha idade que vem pedir desculpa de ouvir minha musica…

Steph: Acontece?

Stromaé: Sim, as vezes, desculpa, como se eles não tivessem direito…

Steph: Enquanto, quando a gente escuta os textos, esse título de Jacques Brel do século XXI não é roubado, não tem nenhuma vergonha de gostar do Stromaé….

Stromaé: Obrigado pelo elogio mas tenho tendência a dizer coitado dele… Mas é um super elogio de ter tantos apoios, isso com certeza, e ser comparado a um cara como ele, com certeza  é bacana.

Steph: No Racine Carrée, a gente percebe bastantes influências africanas, entre outro alguma coisa que eu gostei muito, é a homenagem a Cesaria Evora. Era importante essa homenagem?

Stromaé: Para mim era muito importante. Insisti muito. E um rapper francês que me ajudou muito a desbloquear isso, me ajudou na escritura dessa letra. Na verdade escrevemos juntos. Sim era muito importante. Expliquei para ele: quero muito fazer uma homenagem a ela e quero que seja um tipo de maluco apaixonado, que acreditou que teve uma relação com ela e que nunca teve.  E finalmente ele conseguiu encontrar as palavras que eu procurava e é isso. Era importante para mim de fazer uma homenagem a esse tipo de musica que escuto muito, a ela especialmente, e não só, que fosse a rumba congolesa, a salsa também acho, nãos ei se podemos dizer que é africano mas acho que tem pontes que se fizeram nos 2 sentidos. O hip hop também. Para mim são coisas africanas tambem. Tudo é uma grande mistura. E é importante misturar mais ainda.

Steph: sim, e justamente era minha proxima pergunta. Sobre suas influencias musicaisafricanas, ou afros, porque é evidente que tem raizes, o hip-hop, a salsa, o samba tambem… e nas entrevistas você cita com frequencia papa Wemba ou Koffi Olomidé. Tenho a impressão que são grandes referencias para você. Então queria saber: Stromaé se sente mais congolês que ruandês?

Stromaé: Ahah!!! Qualquer africano se sente mais congolês a certo momento…   Tem que confessar que nossos queridos congoleses musicalmente predominaram a música africana e até no mundo, tem que reconhecer. Depois foram os marfinenses e os nigerianos agora, tem que reconhecer também, mas sempre tem super músicos em todos os lugares. Mas na época é verdade que são lembranças que ficam, são os papa Wemba, mas é verdade que tem outros como Franco, Zao também, especialmente Zao, porque tem uma coisa de super simples e complicado a ter. E verdade que “Tout le monde m´appelle soulard mais je ne suis pas soulard” (tudo me chama de bêbado mas não sou bêbado) tem coisas que me fazem rir de inicio, e ao final se trata de um assunto… E isso, eu fiz o meu “soulard”, é “Formidable”. Apenas tentei modestamente de copiar, ridiculamente…. Será que me sinto mais congolês que ruandês? Não. Não poderia. E no meu sangue. E difícil mentir. Este escrito na minha testa e na minha magreza.

Steph: Justamente, Julie perguntou no inicio sobre sua infância e acho que você banhou num meio, tanto, uma mãe belga, mas também um meio pan-africano, essa pequena África reinventada na Bélgica.

Stromaé: Tenho a impressão que é especialmente o lugar aonde eu vivia e as tias, que na verdade eram as amigas da minha mãe que vinham de um pouco todos os lugares. E me toquei quando cresci que eram apenas amigas da minha mãe, achava antes que eram minhas tias de verdade, mas não, te aprende também que no final as comunidades, é você que inventa. Enfim, me ensinou que na verdade não tem comunidade porque se eu vou ao Ruanda sou branco e se estou na Bélgica sou negro. Então eu realizo que a gente inventa as comunidades, a gente as desfaz e as reconstitui quando nos arranja. E importante saber donde vem, é verdade, mas tem que saber também aonde a gente vai. Em resumo com frases feitas a 2 francos 50 centavos… Mas o que eu queria dizer é simplesmente que o importante é saber quem a gente é. O que a gente quer dizer, o que a gente quer pensar, o resto confesso que quero tanto ir à África que na América Latina, aqui…  Eu quero mais é descobrir o outro, em geral.

Steph: Você não conhece o Rio ainda, mas queria te fazer uma pergunta sobre a questão da mestiçagem, que é uma coisa importante na construção da sua personalidade, na sua obra é um tema importante. Pode falar sobre a questão da mestiçagem no Brasil?

Stromaé: Sobre o Brasil, o bacana é que é tão misturado que a gente não sabe mais quem vem donde. Voltamos sobre o que dizia antes, um tipo de comunitarismo. Depois é humano se aproximar das pessoas que parecem com a gente. Mas acho que o Brasil é um bom exemplo de grande, grande mistura. Porque historicamente muito pesado.  E porque não tem só aspectos negativos, tem aspectos positivos, que é a mistura. Acho isso muito bom para a saúde mental de se misturar.

Steph: No mesmo tempo, tem essa mistura no Brasil, muito valorizada fora, e tem um racismo extremamente forte.

Stromaé: Me falaram…

Steph: É também difícil para você responder sem sair do hotel. Você é muito apreciado no continente africano. Ja fez shows lá?

Stromaé: Não, enfim sim, mas não na África subsaariana. Iremos. Iremos, em maio/junho, é previsto. Vamos anunciar de maneira mais precisa e o mais rápido possível, mas é previsto.  E para voltar sobre o que você falava antes, sobre o racismo no Brasil, eu aprendo, enfim eu podia imaginar. Acho que existe em todos os lugares. Deploro isso. Mas tenho a impressão que a questão é mais social. E triste, mas tudo mundo é racista. Mas tem outro aspecto sobre qual tem que lutar ao quotidiano é o aspecto social. E você tem razão de dizer que tem que sair do hotel para conhecer a realidade, mas tenho pouco tempo. E infelizmente triste. Voltaremos.

Steph: tem que voltar, inclusivo para visitar o bairro da pequena África. Antes de terminar com uma pergunta da Julie que não aprovo, quais são os projetos?

Stromaé: A turnê. Com talvez uma pequena surpresa para o fim da turnê. Mas detesto prometer coisas e não cumprir. Mas espero que vai se realizar porque é muito importante e acho que ja estamos pedidos tem um momento na África e acho importante ir.

Julie: E uma pergunta engraçada, para relaxar… Teu aniversario foi dia 12 de março, você é um jovem de 30 anos, você esta namorando? E você tem um tipo de mulher?

Stromaé: Se eu tenho um tipo de mulher… Acho que tem um negocio natural que a gente vai sempre ao mesmo, mas finalmente vejo que não tem… E sim, eu tenho namorada.

comentários
  1. Julia disse:

    Queria entender Francês! 😦 hahaha
    não tem como legendar o video em Portugues? :/

  2. Julia disse:

    Muito obrigada Stephanie! 😀 😀 😀

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