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Victor Démé: Álbum póstumo

Publicado: 20 de janeiro de 2016 por stephanie100africa em # África, Burkina Faso
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Victor Démé yakafé

Falecido brutalmente em setembro 2015, Victor Démé tinha acabado de gravar seu terceiro álbum, Yakafé, que significa perdoar em língua dioula. Algumas semanas depois, sua produtora resolveu lançar o álbum a titulo póstumo, emocionando os  fãs desse grande artista descoberto tarde demais e que se foi cedo demais…

Victor DéméE em plena crise politica no Burkina Faso, nesta segunda feira 21 de setembro, primeiro dia da primavera, que se foi um dos maiores cantor e musico do Burkina Faso, Victor Démé, depois de uma crise de paludismo, na sua cidade natal, Bobo-Dioulasso.

Durante a vida toda, Victor Démé exerceu sua profissão de alfaiate, em paralelo da sua paixão pela musica. Ele gravará seu primeiro álbum com 46 anos, em 2008, atingindo um largo sucesso internacional. Em 2010, gravou seu segundo álbum, Deli. Com 53 anos, o bluesman mandinga se foi… Mais uma estrela no céu.

Smockey
Nascido em Ouagadougou no 24 de outubro de 1971, Serge Martin Bambara, alias Smockey, é um dos artistas mais importantes do palco musical no Burkina Faso. Livre, impertinente, Smocckey é um artista que não tem medo de dizer suas opiniões.
O jovem começa a se interessar pelo hip hop no final dos anos 80, quando esse movimento começar a surgir em Ouagadougou. Em 1991, Serge Martin Bambara larga o Burkina para estudar na França. Là, alem dos seus estudos em hotelaria, ele começa a trabalhar em estúdio com um amigo camaronês. E na França que ele assina seu primeiro contrato, com a EMI, lança seu primeiro single e se torna Smockey.
Em 2001, Smockey volta pro Burkina Faso. Aonde ele se impõe desde seu primeiro álbum, Epitaphe, por seu estilo e seu escrito sem concessão. Suas participações em festivais de rap no Benim e no Senegal revelam também a energia e a determinação do artista, que se ajuda também outros artistas do Burkina Faso, com seu estúdio e sua estrutura de produção.
Artista de contestação, livre, Smocckey denuncia a realidade social e politica do seu país e do seu continente, casamento forçado, assassinado do Thomas Sankara com a cumplicidade da França e da Costa do Marfim , apoio aos estudantes, …..
Tentando uma aliança entre tradição e modernidade, Smockey, convida também outros artistas, com o Senegal Awadi ou o musico tradicional do Burkina Faso Sibi Zongo.
Desde 2013, Smockey lidera, junto com o musico Sams’k Le Jah, o coletivo “Balai citoyen” (vassoura cidadã), inspirado do modelo senegalês Y en a marre, contra a mal governança no Burkina Faso, e especialmente contra a reforma da constituição proposta pelo atual presidente, Blaise Campaoré, no poder desde 1987 depois de ter assassinado o revolucionário Thomas Sankara com a cumplicidade de França e da Costa do Marfim de Félix Houphouët-Boigny. Essa reforma permitiria ao Blaise Campaoré de se apresentar mais uma vez nas eleições presidenciais de 2015, coisa que a atual constituição não permite.



Thomas Sankara, by Smockey e Awadi:

Smarty
Antigo rapper do grupo Yeleen, Smarty se lança agora numa carreira solo com o lançamento do seu album Afrikan Kouleurs, que faz a unanimidade da crítica e já ganhou prêmios como o prêmio do melhor clipe para “Le chapeau du chef”, no prêmio Kundé 2013.

É em 2000 que nasceu o grupo Yeleen, que significa Luz em língua bambara, encontro de Louis Salif Kikieta alias Smarty, do Burkina Faso, e de Célestin Mawndoé, do Chade. O sucesso da dupla é imediato, depois de lançar seu primeiro álbum, Juste 1 peu 2 Lumière em 2001, a dupla é nomeada, em 2002, nos Kora Music Awards 2004, na categoria Melhor grupo africano. Em 2004, Yeleen dá um show para 20 000 pessoas no estádio Municipal de Ouagadougou, e em 2007, ganha o Kundé de Ouro. Com álbuns lançados, o grupo é A referencia do rap no Burkina Faso e no continente africano.
Em 2011, Smarty deixa Yeleen, uma decisão mal entendida pelos fãs. Passando por uma crise profunda, Smarty anuncia em musica, no Youtube, que ele abandona a carreira musical…

Em janeiro 2012, ele provoca uma grande emoção com uma pequena aparição no Saga Musik de Ouagadougou. E em novembro 2012, depois de meses de gravação com artistas africanos, entre o Burkina e o Mali, Smarty lança seu primeiro álbum solo, Afrikan Kouleurs, que acabou de vencer o prêmio découvertes RFI.
Se afastando do rap, Smarty canta nesse álbum urbano com uma forte coloração africana. Destaca-se a grande presença (70%) dos instrumentos tradicionais africanos que se juntam ao aspeto muito urbano da musica do Smarty para dar uma identidade africana ao projeto.
O disco, cantado em mooré, jula, francês e inglês, conta com participações como Tiken Jah Fakoly, Soprano ou Dudn´J e trata de temas como a amizade, o amor, a politica (“le chapeau du chef”, que trata da situação atual no Burkina Faso), a esperança…
Muito elogiado pela critica, parece que Afrikan Kouleurs marca o inicio de uma longa e brilhante carreira em solo para o cantor Smarty;

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Nascido em 1966 em Koudougou (Burkina Faso), o pequeno pastor que se tornou uma super estrela da musica depois de anos de galeras na Costa do Marfim antes da sua ascensão fulgurante, continua a influenciar a juventude do seu país, mais de 10 anos depois da sua morte em condições suspeitas.
Black So Man é a trajetória de um artista engajado, que usava sua arte para denunciar os problemas atuais do continente africano. Títulos como Système du Vampire (sistema do vampiro), On s´en fout (A gente não se importa) ou ainda J´étais au procès (eu estava no julgamento) falam da atualidade do continente, corrupção, miséria, prostituição, neocolonialismo, etc… Black So Man, com criatividade e poesia, denunciava de maneira incansável todos os maus que atingem o continente.
Orgulho dos burkinabés e especialmente dos jovens, para quem, ainda hoje, ele representa um exemplo e uma esperança, Black So Man desapareceu em 2002, das sequelas de um acidente suspeito na Costa do Marfim (Acidente ou assassino por causa do seu engajamento politico???).




Um filme contando a historia desse artista emblemático foi lançado em 2012, L´ombre de Black

Homenagem: George Ouédraogo, o “Gandaogo nacional do Burkina

Publicado: 7 de fevereiro de 2012 por stephanie100africa em Burkina Faso

George Ouédraogo, o “Gandaogo nacional”, morreu no dia 2 de fevereiro em Ouagadougou, Burkina. Nascido em 1947 em Gogo-Komsilga, Georges faz seus primeiros passos como musico nos anos 60 no Tiko-Tiko bar, em Ouagadougou, capital do Burkina. Ele se muda depois para Bobo-Dioulasso, aonde integra o grupo Volta Jazz. Em 1969, vai para a Abidjan, na Costa do Marfim, que naquela época tem um forte poder de atração para os músicos do continente. Abidjan é um cruzamento, um lugar de encontro, aonde nascem muitos projetos… Ele vai então conhecer os músicos Jimmy Hyacinthe e Rato Venance, com quem vai para Europa, criando o grupo Bozambo, O grupo mítico lança seu primeiro álbum em 1976, que fiz dançar os clubes de Africa e da diáspora na Alemanha e na França. E o primeiro grupo a tocar musica do Burkina do exterior. Em 1978, Georges volta para sua terra natal depois de ter abandonado o famoso grupo.
Autor, compositor, baterista e cantor, esse pioneiro da musica do Burkina foi eleito em 2000 melhor artista do Burkina Faso durante a cerimônia dos Kunde de ouro.

Victor Démé

Publicado: 19 de setembro de 2011 por suelen06 em Burkina Faso

Nascido em 1962, o artista mandinga herdou muito jovem do amor da musica por sua mãe, uma griotte muito solicitada nas grandes festas de casamento e batizados de Bobo-Dioulasso. Mas é no pequeno ateliê do seu pai costureiro, em Abidjan, na Costa do Marfim,  que ele se exila na adolescência. De dia, ele trabalha na loja paterna, e de noite toca nos clubes da cidade, aonde começa a se construir uma reputação, especialmente no orquestra  Super Mandé. Ele volta no Burkina em 1988, aonde ganha vários prêmios e participa de diversos grupos, como o grupo Echo de l´Africa e, principalmente, o Suprême Comenba, que ritma as noites de Ouagadougou.

Mas, enquanto Victor Démé se tornou um cantor popular, o destino o afasta da musica durante vários anos. Quando tenta voltar depois desse longo silencio, a situação é muito difícil. Ele grava finalmente seu primeiro álbum, com 46 anos, em 2008, graças a ajuda de 4 franceses, dos quais o gerente do Ouagajungle, Camille Louvel e o jornalista David Coumeillas, e os ativistas do Soundicate, que fundam o label Chapa blues para poder apoiar sua musica.