Arquivo da categoria ‘Congo kinshasa’

'137 Avenue Kaniama'

10 anos depois do seu primeiro álbum, Hotel Impala, o poeta-feiticeiro belgo-congoles Baloji esta de volta com seu quarto álbum, uma prolongação do primeiro e com certeza uma verdadeira perola.

137 avenue kaniama nos leva numa viagem musical e poética combinando ritmos congoleses, nigerianos, zimbabuanos, ganenses, camaroneses… com rap e eletro inglês. Colocando sua resiliência no centro do seu trabalho, Baloji concilia todas suas influencias.

Poeta, rapper, cineasta, Baloji é um artista livre, impossível de classificar.

Seu nome, Baloji, significa grupo de feiticeiros em tshiluba, uma das línguas faladas no Congo-Kinshasa. Durante sua infância, Baloji detestou seu nome e sofreu por conta dele dentro da família do seu pai… Enquanto na verdade a conotação negativa da palavra foi uma invenção dos missionários, e que ele é ligado a sabedoria tradicional Balubakat (os Baluba do Katanga).

Nascido em Lubumbashi em 1978 de uma relação ilegítima, Baloji é separado da sua mãe com apenas 3 anos, quando levado pra Bélgica pelo pai, onde será escolarizado numa escola jesuíta. Com 15 anos, ele larga a casa e a escola e se torna rapper. Ele vai passar então por uma fase difícil, conhecendo até a experiência do centro de retenção para os sem-papeis, quando ele quase foi expulso pro Congo.

Integrante do grupo de rap Starflam, ele lança em 2008 Hotel Impala, autobiográfico, uma resposta a uma carta escrita por sua mãe, com quem estava sem noticias. Um disco que ele levará pessoalmente pra ela, em Lubumbashi, na avenida Kaniama…

E justamente o endereço da sua mãe que serve de titulo a esse quarto álbum solo do Baloji, 137 Avenue Kaniama. Um album onde ele fala da falta de eletricidade, do racismo, de dificuldades amorosas, e também, claro, da sua mãe, e especialmente da decepção que foi esse re-encontro com ela 25 anos depois: “Plus je la regarde, plus je me sens bete. Une mère qui écrit à son fils après 9.125 jours, ce n’est pas forcément un acte d’amour mais un appel au secours.” (mais eu olho ela, mais me sinto idiota. Uma mãe que escreve a seu filho depois de 9 125 dias, não é forçosamente um ato de amor, mas um pedido de socorro) grita Baloji …

O clipe Peau de chagrin/Bleu de nuit, filmado na floresta congolesa e realizada pelo próprio Baloji seduz pelas cores e pela sensualidade.

Depois dos excelentes Kinshasa Succursale e 64 Bits and Malachite, Baloji afina ainda mais seu estilo, tanto no beat que na escrita. Livre, pessoal, diverso, amargo, raivoso, sensual, Baloji confirma seu imenso talento com esse disco combativo e hipnotizante.

ZAIRE74

Um programa dedicado aos artistas africanos que participaram do lendário Zaïre 74, o grande encontro musical que antecipou o encontro do seculo entre Muhammad Ali e George Foreman em Kinshasa em 1974:

Zaire 74jpg

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Veterano da rumba congolesa, Bumba Massa lança, na véspera dos seus 70 anos e com 54 anos de carreira, V70, seu ultimo álbum, no puro espirito da rumba congolesa dos anos 60. Para a ocasião, o tenor gravou com o mítico OK Jazz do falecido Franco, nada menos…

 

 

Konono

O MIMO 2017, maior festival gratuito do Brasil, conta mais uma vez com ampla programação musical africana.

No Rio, o geniais Konono n 1, de Kinshasa, se apresentam hoje, sextaF dia 11, as 22h30, na Marina da Gloria.

 

Amanha as 20h30, sempre na Marina da Gloria, tem o virtuose Vieux Farka Touré, filho do mítico Ali Farka Touré (Mali)

 

E domingo, mesmo local, 19h30, é a vez do grande cantor angolano Paulo Flores.

 

Imperdível! Obrigado ao MIMO por essa rica programação panafricana! E vem mais por ai, em outras cidades do Brasil…

Mais informações: https://mimofestival.com/brasil/

Tokoos, o ultimo album do Fally Ipupa

Publicado: 17 de outubro de 2017 por stephanie100africa em # África, Congo kinshasa
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Faly Ipupa Tokoosjpg

Em julho desse ano, o elegante de kinshasa lançava seu quarto album, Tokoos, uma nova fase na carreira do príncipe da rumba congolesa. O álbum com 18 faixas com participações de artistas de outros universos musicais como MHD, estrela do afro-trap, o rapper Booba ou ainda o artista norte americano de R&B R. Kelly. Um disco que reforça a internacionalização da carreira do cantor a voz suave.

Um álbum urbano que transcende sua cultura no respeito das melodias congolesas. Com esse novo álbum, o elegante Fally se distancia  da rumba para fazer o que ele chama de Tokoos, musica congolesa urbana internacional. Fally inventou essa palavra a partir de Kitoko, que significa lindo, positivo em Lingala. Artista e homem de negocio discreto e pudico, Fally Ipupa é também engajado com sua fundação para facilitar o acesso dos mais pobres a educação, a saúde e a moradia.

O ultimo album do Fally Ipupa, Tokoos, esta disponivel em Streaming

 

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Um programa dedicado a uma lenda da musica angolana, Mario Matadidi:

Combat du siècle

Um programa com alguns trechos do festival Zaïre 74, realizado na ocasião do encontro do século, que consagrou Muhammad Ali em Kinshasa: