Arquivo da categoria ‘Costa do Marfim’

espoir 2000
Espoir 2000, um dos grupos de zouglou mais respeitados pelos amadores da Costa do Marfim e do continente africano, lançou esse ano um disco, Génération Consciente, com o objetivo não escondido de conquistar também o mercado internacional.
O grupo, que foi revelado ao publico da Costa do Marfim em 1997 com seu opus Elephant d´Afrique , alcançou um grande sucesso na África com seus discos e suas turnês.
O grupo, inicialmente composto por três amigos de um bairro da periferia de Abidjan, Koumassi, é hoje constituído por Pat Sako e Valery, depois da saída de Shura. Reconhecido por suas criticas sobre o comportamento dos jovens marfinense, essencialmente das meninas, a dupla pretende, com seu novo álbum, Génération Consciente, sair das fronteiras do continente africano e alcançar um sucesso internacional.
O clipe “Les caissières”, apesar de um pouco machista para nossos ouvidos euro-centristas, é uma perola de humor marfinense.



Tiken

Tiken Jah Fakoly esta de volta com um novo single “Dernier appel”, já anunciando o lançamento do seu oitavo álbum em junho. O cavaleiro trocou sua espada de “African Revolution” para um alto-falante, se colocando em defensor de um ideal africano. Sempre militante e ator de mudanças, Tiken lança um recado de união, chamando a reconciliação e a união dos povos. Depois de um ano de pausa, o cantor que recebeu recentemente um disco de ouro para “African Revolution” esta retomando os shows no continente africano.

… E em mais 3 cidades do Brasil!!!!
Alpha Mystic Power

Na ocasião do lançamento internacional do seu novo álbum, Mystic Power, Alpha Blondy estará em turnê pelo Brasil entre o 7 e o 14 novembro. Não percam!!! Datas, a começar pelo Circo Voador no Rio de Janeiro (dia 7 as 22h00), Belo Horizonte (8 de novembro), Salvador (dia 9) e São Paulo (dia 14).




Embaixador da ONU pela Paz, fundador da ONG Jah Glory Foundation e estrela do reggae marfinense desde os anos 80, vencedor do Grammy Award em 2003 (melhor álbum de reggae), Alpha Blondy esta de volta com um novo álbum, o décimo sexto disco!!!!! Aonde, como sempre, ele se reinventa, evitando assim as armadilhas da formatação:
“Fizemos um trabalho maravilhoso com a minha banda Solar
System. Quis inovar, desenvolver o lado rock. Sempre se fala “Roots RockReggae”, mas geralmente somente fica “roots reggae”. Não queria ficarno étnico, no tribal. Queria emendar a dimensão do reggae, alcançar
todos os meus fãs. Neste disco, tem músicas relaxantes, outras com muita guitarra”, diz Alpha Blondy sobre o novo disco.


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Primeiro de uma família de 9 filhos, Seydou Koné nasceu em Dimbokro em 1953 e teve uma infância feliz, criado pela avó Chérie Coco, que o adorava.

De 1962 a 1972, o menino mora com sua mãe em Odjenné, estudando na escola e tocando musica com uma banda de amigos nos fins de semana. Acaba sendo expulso do colégio em 1972 e vai para Monrovia, no Liberia, para acabar seus estudos e aprender a língua inglesa. Para se aperfeiçoar nessa língua, Blondy (apelido que ganhou nesses anos, derivado da palavra bandido) vai para Nova-York, aonde ele vai descobrir, em 1977, o reggae, durante um show dos jamaicanos Burning Spear em Central Park.

Dificuldades financeiras, tentativa abortada de lançar um disco, apesar de ter tocado em primeira parte de vários grupos, sua experiência americana é um fracasso e Seydou Koné volta para sua terra natal em 1980, numa situação psicológica extremamente difícil.

Dormindo na casa de amigos, Blondy ensaia com músicos ganeses no gueto de Adjamé e decide ser chamado de Alpha, como sinal de um novo recomeço.

Em 1981, seu velho amigo Roger Fulgence Kassy o convida a participar do programa que ele apresenta na TV da Costa do Marfim, “Première chance” (Primeira chance em português). Ele avisa: “Você vai ver, amanha sua vida vai mudar”. Para Alpha Blondy, que já tem 30 anos, essa participação no “Première chance” parece mais com sua ultima chance. O programa é um sucesso e ele grava em seguida seu primeiro álbum, “Jah Glory”, lançado em 1983, que comporta o titulo “Brigadier Sabari”, uma denuncia em dioula das violências policiais, inspirado de um evento que ele presenciou.

“Brigadier Sabari” vai se tornar um enorme sucesso na Costa do Marfim, a começar pelos bairros mais populares de Abidjan, e no continente africano e Alpha Blondy, considerado como a voz dos sem vozes, passa a ser chamado de “Marley da África”. Rapidamente, sua fama ultrapassa as fronteiras do continente africano e chega na Europa. E o inicio de uma carreira internacional gloriosa, de Kingston a Jerusalem, de Marrakesh a Abidjan, etc…

Estrela internacional, artista super carismático no palco, porta-voz do reggae africano e militante da paz, espiritual, Alpha Blondy é também um artista polemico e difícil a entender.

Em 30 anos, as musicas do Alpha Blondy vincularam no mundo inteiro seu misticismo e seu recado de paz e de justiça e suas preocupações para o continente africano.

Billy-par-JA
Nascido em Gagnoa, Costa do Marfim, em 1980, o rapper Billy Billy usa sua musica e sua fama para denunciar as elites africanas da Costa do Marfim e falar do dia dia dos seus compatriotas, sempre com humor e impertinência.
O rapper que foi revelado em 2007 com o titulo « Allons à Assakara », uma musica falando do quotidiano dos moradores desse bairro de Abidjan, volta com um CD 4 títulos para epserar até o lançamento do seu terceiro álbum, « Compte-rendu », previsto esse ano. Impertinente e corajoso, esse CD, especialmente a faixa “Lettre au Président”, sua Letra ao presidente Ouattara, já tem um enorme sucesso na Costa do Marfim, com letras do tipo: “… Se um patrão não pode falar a seu encarregado, aqui (…)a gente diz: aonde estamos? Até prova contraria, ele esta aqui porque nos queremos. Então os kpakpatos da presidência, calem a boca, o presidente vai ouvir seu CD.”

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indépendances 2
Continuando nossa viagem através das musicas das independências, levo vocês agora para a efervescência da Costa do Marfim e do Mali recém-libertados. Um programa com algumas perolas históricas, como, por exemplo, uma gravação do grande sucesso Moussio, precursor da musica moderna na Costa do Marfim, ou do Boubacar Traoré, a voz da independência na Radio Mali, com seu Mali Twist:
Indépendances 2
Contei hoje com a presença do meu grande parceiro e co-DJ da festa Conexão África Marcello para gravar esse primeiro programa Conexão Africa de 2013!
Vamos então aproveitar para desejar um excelente ano novo a todos, com muito AXÉ, saúde, alegrias, amores, amizades… E muita africanidade!!!!!!!!!!!!!!


Como prometido, tentamos ontem gravar, na radio Kaxinawa, 100.1 FM, nosso programa dedicado à cidade de Abidjan, capital da Costa do Marfim, no final dos anos 70, inicio dos 80, sobre qual ja postei uma materia recentemente. Excepcionalmente, iniciamos o programa com uma artista brasileira, Nega Duda, grande cantora que participou no domingo passado do evento Roda de raízes organizado por Ana Lucia Rabello no morro do Salgueiro. O resto do programa foi meio maluco, as musicas pulando, a internet caindo, fiquei na duvida se ia postar no blog, mas finalmente resolvi colocar assim mesmo, fica até engraçado. Tem que saber rir de todas as situações. Semana que vem gravaremos, em melhores condições (espero), um programa “Musicas de independencia”.
Abidjan

Esse post é dedicado à cidade de Abidjan (Costa do marfim) que teve um papel fundamental na historia da musica no continente africano, especialmente no fim dos anos 70 e inicio dos 80. Prevemos também em breve de gravar um programa Conexão África especial “Abidjan Final dos 70´s-inicio dos anos 80´s” na radio Kaxinawa (temos que aguardar a resolução de alguns problemas técnicos no estúdio para poder retomar nossas gravações).

No final dos anos 70, muitos artistas da África ocidental foram para Abidjan, capital da Costa do Marfim, que tinha se transformado numa plataforma econômica com o crescimento das produções de café e de cacau. Editoras independentes e estúdios de gravações apareceram na cidade, atraindo muitos artistas do continente, como Salif Keïta, Mory Kant, Manu Dibango, Samba Mapangala ou Sekouba Bambino, etc… O congolês Franco se produzia com frequência, como muitos outros.

Símbolo de modernidade e de influencias novas, Abidjan se abriu para o reggae, especialmente através do seu grande representante Alpha Blondy (no inicio dos anos 80), e ao movimento hip-hop iniciado em Abidjan pelo grupo Abidjan City Breakers. Primeira capital do continente a ter recebido o norte-americano James Brown no fim dos anos 60, Abidjan era aberta a todas as influencias internacionais, reggae, disco, hip-hop, soul, folk, etc….


Essa época foi também marcada por Ernesto Djédjé, rei do Ziglibity, que lançou seu primeiro álbum, Ziboté, em 1977.

São apenas alguns nomes dessa cena tão rica que se formou em Abidjan no fim dos anos 70´s, inicio 80´s… Podem encontrar alguns artistas na compilação Ivory Coast Soul 2, que acabou de ser lançada na Europa:


Daouda, com sua musica sentimental cheia de humor, é um artista intemporal.
Portanto, o jovem técnico nunca tinha previsto essa carreira de cantor. É por acaso que seus colegas da televisão nacional da Costa do Marfim descobrem em 1976 seus talentos de cantor e o convidam a participar de programas de variedade. O sucesso é imediato e o diretor de programa da TV de então, Georges Tai Benson, resolve gravar o primeiro álbum do Saouda, com a musica “Gbakas d´Abidjan”, um enorme sucesso que ultrapassa as fronteiras da Costa do Marfim ! Vem depois, em 1977, o secundo álbum “Le villageois”, que comporta títulos como “Bouquet de Fleur” ou “Mon coeur balance”, sucessos em todo o continente africano. O publico passa então a chamar ele de Daouda o sentimental.
Começa então verdadeiramente a carreira internacional do Daouda, com muitos albums de sucesso.
Em 1985, é a consagração no meio da musica africana moderna, com o disco “La femme de mon patron” (a mulher do meu patrão), que conta com a participação dos melhores músicos camaroneses da época, tal como Toto Guillaume e Jules Kamga.
Descobrem aqui o remix do titulo “La femme de mon patron”, uma perola de humor a moda Daouda:

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Primeiro de uma família de 9 filhos, Seydou Koné nasceu em Dimbokro em 1953 e teve uma infância feliz, criado pela  avó Chérie Coco, que o adorava.

De 1962 a 1972, o menino mora com sua mãe em  Odjenné, estudando na escola e tocando musica com uma banda de amigos nos fins de semana. Acaba sendo expulso do colégio em 1972 e vai para Monrovia, no Liberia, para acabar seus estudos e aprender a língua inglesa. Para se aperfeiçoar nessa língua, Blondy (apelido que ganhou nesses anos, derivado da palavra bandido) vai para Nova-York, aonde ele vai descobrir, em 1977, o reggae, durante um show dos jamaicanos Burning Spear em Central Park.

Dificuldades financeiras, tentativa abortada de lançar um disco, apesar de ter tocado em primeira parte de vários grupos, sua experiência americana é um fracasso e Seydou Koné volta para sua terra natal em 1980, numa situação psicológica extremamente difícil.  

Dormindo na casa de amigos, Blondy ensaia com músicos ganeses no gueto de Adjamé e decide ser chamado de Alpha, como sinal de um novo recomeço.

Em 1981, seu velho amigo Roger Fulgence Kassy o convida a participar do programa que ele apresenta na TV da Costa do Marfim, “Première chance” (Primeira chance em português). Ele avisa: “Você vai ver, amanha sua vida vai mudar”. Para Alpha Blondy, que já tem 30 anos, essa participação no “Première chance” parece mais com sua ultima chance. O programa é um sucesso e ele grava em seguida seu primeiro álbum, “Jah Glory”, lançado em 1983, que comporta o titulo “Brigadier Sabari”, uma denuncia em dioula das violências policiais, inspirado de um evento que ele presenciou.

“Brigadier Sabari” vai se tornar um enorme sucesso na Costa do Marfim, a começar pelos bairros mais populares de Abidjan, e no continente africano e Alpha Blondy, considerado como a voz dos sem vozes, passa a ser chamado de “Marley da África”. Rapidamente, sua fama ultrapassa as fronteiras do continente africano e chega na Europa. E o inicio de uma carreira internacional gloriosa, de Kingston a Jerusalem, de Marrakesh a  Abidjan, etc…

Estrela internacional, artista super carismático no palco, porta-voz do reggae africano e militante da paz, espiritual, Alpha Blondy é também um artista polemico e difícil a entender.

Em 30 anos, as musicas do Alpha Blondy vincularam no mundo inteiro seu misticismo e seu recado de paz e de justiça e suas preocupações para o continente africano.


Tiken Jah Fakoly, o reggae revolucionario
Figura incontornável do reggae africano, Tiken Jah Fakoly é também o porta-voz da jovem geração da África ocidental frente às dificuldades politicas. Pan-africanista convencido, artista engajado, cantor carismático, Tiken Jah Fakoly conquistou um vasto publico tanto no continente africano que na Europa e nos Estados-Unidos.
Nascido em Odienné, no norte-oeste da Costa do Marfim, em 1968, Tiken Jah Farkoly é o terceiro filho de uma família de griots e o descendente de um grande chefe guerreiro malinké, Fakoly Koumba Fakoly Daaba. Naturalmente atraído pela musica desde cedo, Tiken monta seu primeiro grupo, Djelys, por volta de 1987, com qual vai conhecer uma certa notoriedade.
Nos anos 90, o grupo Djelys (djelys significa griots em malinké) e Tiken conhecem muito sucesso na Costa do Marfim e lançam seus primeiros álbuns. O pais esta passando por uma fase de muita violência depois da morte de Houphouët Boigny, que reinou na Costa do Marfim de 1960 a 1993. E nessa época que Tiken Jah Fakoly escreve seus primeiros textos sobre a situação politica, que ele denuncia, o que lhe vale uma grande popularidade na juventude. Em 1996, Tiken escreve o titulo Mangercratie, um texto reivindicando regimes políticos, “craties”, assegurando os direitos do povo, incluído o direito de comer, e não o contrario.
Apesar das tentativas de censura, esse álbum é a fonte do seu enorme sucesso, em solo agora, na Costa do Marfim. Tiken Jah Fakoly participa de todos os festivais nacionais, e pouco a pouco conquista também os palcos europeias, africanos e norte-americanos.
“Cours d´Histoire”, “Le Caméléon”, “Françafrique”, “Coup de gueule”, “L´Africain” ou “African Revolution”, seu ultimo álbum lançado em 2010, tantos discos de revolta, tantos textos de denuncia, da corrupção da elites, do neocolonialismo, chamando o povo africano a se levantar e se mobilizar…
Textos engajados, ações engajadas, como os shows “Um show, uma escola”, que Tiken organizou em vários países africanos, usando os benefícios para a construção ou a reabilitação de uma escola, discursos também, o que lhe valeu 5 anos de exilio em Bamako, e de ser mais recentemente considerado pessoa non grata no Senegal de Abdoulaye Wade depois das suas declarações pedindo ao presidente senegalês de se retirar do poder (nota: depois de um processo democrático, A. Wade não foi reeleito e deixou o poder).
Disco de ouro, artista premiado, dono de um bar em Bamako e de um estúdio de gravação, Tiken Jah Fakoly é hoje um artista consagrado e reconhecido no mundo inteiro.
Corajoso, militante, talentoso, Tiken Jah Fakoly lançou em 2010 um álbum bem diferente dos seus precedentes discos, com sempre as suas temáticas prediletas, mas gravado pela primeira vez no seu estúdio de Bamako, depois de ter colocado as rítmicas nos místicos estúdios Tuff Gong na Jamaica, um disco que mistura o reggae com sonoridades africanas, o som magico dos instrumentos tradicionais mandingue como o ngoni, a kora, o soukou ou o balafon.
Chamando a juventude a se conscientizar, a ir para escola (“Go to school, Brothers… inteligente revolution is African education” : Vão para escola irmãos, a revolução inteligente é a educação africana), denunciando como sempre a corrupção das elites (“Je ne veux pas ton pouvoir, pas besoin d´argent, je ne veux pas de ta gloire, je veux l´espoir”:eu não quero seu poder, não precisa de dinheiro, não quero sua gloria, quero esperança), esse disco é também um grito de tristeza, como a canção Vieux père que denuncia o desemprego massivo e a mendicidade: “Je suis revenu après 5 ans d´exil, des millions de jeunes sans boulot, tous la main tendue…” (Voltei de pois de 5 anos de exilio, milhões de jivens sem emprego, de mão esticada).
Um disco entre tradição e modernidade, como o continente africano.