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Hoje tem: Anikulapo no morro da Conceição

Publicado: 23 de janeiro de 2014 por Stephanie Malherbe em # África
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Rajao

Não percam hoje, o bar galeria Imaculada, o mais badalado do momento, recebe a exposição Anikulapo com discotecagem do DJ Rajão, que é tambem o diretor e produtor da exposição e do documentario Anikulapo.

O afrobeat do grande Fela foi a fonte para todo o percurso transatlântico em que o documentário ANIKULAPO seguiu.

As fotografias traduzem memórias vivas da visita ao país de Fela onde foram captadas as muitas cores e movimentos do povo nigeriano, do AFROBEAT, do caos e calor dos cenários urbanos de Lagos.

O trabalho fotográfico realizado por Micael Hocherman contempla a atual reaproximação do Brasil com a África e surge em um momento rico de discussão e valorização da cultura e histórias resultantes da diáspora.

Os registros de ANIKULAPO na Nigéria reúnem as situações, olhares e vigor de uma cultura pulsante, um movimento musical vivo e uma realidade distante e ao mesmo tempo tão intrínseca nos nossos dias.

Direção e Produção: Pedro Rajão
Fotografia: Micael Hocherman
Concepção: Lais Monteiro, Micael Hocherman e Pedro Rajão

Teasers do documentário:



Banda Maravilha
Para esperar até nossa festa do dia 21 (sexta), levo você para Angola, através do som da Banda Maravilha, o grupo que faz dançar os angolanos com seus ritmos de semba!
Nascida em 1993, a banda ganhou seu nome, depois de várias exibições em bares, discotecas e festas de Luanda, durante o programa de televisão “Gentes & Tons” apresentado por André Mingas e de qual se tornou a banda de animação.
Considerada uma das formações musicais angolanas mais profissionais da atualidade, os seus membros modernizam o semba, conjugando uma base rítmica inconfundivelmente angolana com baixo eléctrico, teclado e bateria.
Excelente banda de acompanhamento, a Banda Maravilha interpreta, com talento e criatividade, géneros canónicos da música internacional e explora diversas matrizes do semba, kazucuta e kabetula, revitalizando assim o melhor do patrimônio musical angolano.
O primeiro disco da banda, Angola Maravilha, foi lançado em 1997 e foi um recorde de vendas. Seguiram Semba Luanda, e Zungueira e As nossas Palmas.
Composta de músicos de talentos, a banda acompanhou também vários grandes nomes da musica angolana, como Paulo Flores, os Gingas ou Yuri da Cunha, mas também artistas brasileiros, como Margareth Menezes ou, muito recentemente, em Luanda, Ricardo Vilas, seguidor assíduo do nosso blog.
Mas melhor que ler sobre a Banda, é ouvir o som maravilhoso!




A

“O mundo é velho, mas o futuro sai do passado. Escutem a palavra dos griots. Ela ensina a sabedoria e a historia porque os homens têm a memoria curta. Escutem a historia do filho do búfalo, do filho de leão, a historia de Soundjata Keïta, que foi um dos maiores reis, um dos maiores homens, e que o pais claro, o pais da savana, ainda se lembra da sua coragem e de suas vitorias”
E com essa palavra que os griots iniciam a historia do Soundjata Keïta, o grande rei do Mandé, o fundador do império do Mali no século XIII, uma historia extraordinária que foi preservada através da voz dos griots que se transmitiram ela de geração em geração.
Um dia, o Rei Naré Maghan Konaté recebeu a visita de um caçador feiticeiro, que Ilhe fiz uma predição: uma mulher muito feia ia vir no seu reinado e ele teria que casar com ela. E dessa união, ia nascer um grande rei…
Algum tempo depois, no pais de Do, um búfalo aterrorizava a população, fazendo reinar o medo e a fome… Ninguém conseguia matar o búfalo. Até que… dois irmãos caçadores resolveram também caçar esse búfalo e mata-lo. No caminho, eles encontraram uma mulher e dividiram sua refeição com ela. Depois de comer e beber com os caçadores, a mulher revelou a eles que ela que era o búfalo. Ela contou também como matar o búfalo, porque achava que sua hora já tinha chegado. Mas a uma condição: casar com sua filha adotiva, Sogolon. Os irmãos prometem, matam o búfalo com as dicas magicas que a mulher tinha falado e vão ao encontro da Sogolon. Sogolon era extremamente feia e era corcunda, levaram ela mas nenhum dos dois conseguiu deitar com ela… Resolveram então oferecer a Sogolon ao rei Naré Maghan Konaté, que estava procurando uma segunda esposa. Quando Naré Maghan Konaté viu Sogolon, ele se lembrou da profecia do caçador feiticeira e casou com ela. Ele também teve a maior dificuldade para deitar com ela, parecia que uma força magica impedia, mas finalmente, usando astucia, ele conseguiu. E dessa união nasceu Soundjata. Soundjata era deficiente físico e não podia andar, por isso o rei passou a ter muitas duvidas sobre a profecia… O pequeno Soundjata sofria muito, entre as piadas das outras crianças e a maldade da primeira esposa do seu pai, Sassouma Benté, que já tinha um filho e tinha a firme vontade que ele se tornasse o rei, e não o Soundjata.
Quando Naré Maghan Konaté morreu, Sassouma Benté e seu filho Dankaran Keïta se apropriam do trono. Eles humilham diariamente Sogolon e o pobre Soundjata.
Um dia, Sogolon vai pedir folhas de baobá a Sassouma para poder cozinhar seu almoço. Sassouma não só recusa como humilha mais uma vez Sogolon, que volta para casa chorando. Quando Soundjata sabe do acontecido, ele manda os ferreiros construir um bastão de ferro muito muito grande e diz para Sogolon que sua hora chegou. Se apoiando do bastão, fazendo um esforço extraordinário, tão extraordinário que o bastão fica todo torto, Soundjata, finalmente, se levanta. Ele vai pegar uma pequena arvore de baobá que oferece para Sogolon.
Mas o ódio de Sassouma e Dankaran fica ainda mais forte e Soundjata tem que se exilar. Cada vez mais longe, para escapar do ódio de Sassouma e das suas tentativas de assassino…
O tempo passa. O rei do Sosso, Soumaro Kanté, o rei feiticeiro, ataca o reinado do Mandinga. Dankaran Keïta, o irmão do Soundjata, foge. Os anciãos vão então até Soundjata e pedem sua intervenção. Soundjata forma um exercito com combatentes de vários reinados, um exército muito heteróclito. Eles perdem as primeiras batalhas.
Soundjata entende então que para vencer Soumaro, o rei feiticeiro, o rei imortal segundo a lenda, terá que usar a astucia. Soumaro é reputado por gostar muito de mulheres. Soundjata manda sua irmão, a linda Djegue, como sinal de submissão para Soumaro. Djegue aprende assim que só uma flecha com uma garra de galo pode atingir Soumaro. E assim que, em 1235, durante a batalha de Kirina, Soundjata Keïta venceu Soumaro e seu exército.
Soundjata é declarado o Rei dos Reis, o Mansa, e funda o grande império do Mali, aonde ele proíbe a venda de escravos. E também decretada a declaração do Mandé, que é considerada como a primeira declaração dos direitos humanos da Historia da Humanidade.
Dizem que Soundjata foi um grande administrador, justo e moderno, e que nos eu reino as varias etnias viviam em harmonia.
Essa historia, entre mito e realidade, foi escrita pela primeira vez em 1960.
Muitos artistas contemporâneos cantam musicas a gloria desse grande rei, inclusivo Salif Keïta, que é seu descendente em linha direta.


Mandela Day

Publicado: 18 de julho de 2012 por Stephanie Malherbe em # África, Africa do Sul
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Hoje, dia 18 de julho, aniversario do Nelson Mandela, é um dia de festa na África do Sul, comemorado no mundo inteiro como o Mandela Day, uma data reconhecida pela ONU como um dia aonde cada um de nos deve consagrar 67 minutos uma ação para ajudar os outros, em referencia aos 67 anos de combate politico do Nelson Mandela e aos valores que ele defendeu durante sua vida.
Para comemorar o dia desse grande herói da luta contra a apartheid, enorme mito mundial, Conexão África escolheu a musica que a cantora sul-africana Brenda Fassie, a diva dos townships, dedicou à Madiba: Black President.

Descobrem aqui a tradução das letras dessa musica:
O ano de 1963 O presidente do povo
Foi levado por homens da segurança
Todos vestidos de uniforme
A brutalidade, a brutalidade
Oh, não, meu presidente negro
Ele e seus companheiros
Foram condenados ao isolamento
Por muitos anos dolorosos
Por muitos anos dolorosos
Muitos anos dolorosos
De trabalho duro
Eles romperam cordas
Mas o espírito nunca foi quebrado
Nunca quebrado
Oh, não, meu, meu presidente negro
Vamos nos alegrar para o nosso presidente
Vamos cantar para o nosso presidente
Vamos orar para o nosso presidente
Vamos cantar, vamos dançar
Para Madiba por nos dar a liberdade
Agora em 1990
O presidente do povo
Saiu da prisão
Levantou a mão e disse:
Viva, viva, minha gente
Ele andou pela longa estrada
De volta, de volta à liberdade
De volta, de volta à liberdade
Liberdade para o meu presidente negro
Vamos nos alegrar para o nosso presidente
Vamos cantar para o nosso presidente
Vamos orar para o nosso presidente
Vamos cantar, vamos dançar
Para Madiba por nos dar a liberdade


Grupo mítico da cena musical beninesa e africana dos anos 60 e 70, o Tout –Puissant Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou tinha caído no silencio, até seu encontro com uma jornalista francesa que levou eles pelo mundo e produziu seu novo álbum, Cotonou Club, lançado em 2011.
Nos anos 70, o grupo inflamava o Benim com seu som tudo poderoso. Funk, soul, afrobeat, salsa, o grupo toca todos os estilos, por isso se chama poly-rythmo. Com seus 11 membros, o grupo, nascido na efervescência da independência, conquistou a África toda com seus “poly-rythmos” e tocou também com Fela ou Myriam Makeba, os monstros sagrados da musica africana. Portanto, anos depois, o grupo mais antigo e mais prolifico do continente africano, com seus 42 anos de existência e seus 500 discos gravados, parecia ter sumido, caído no esquecimento…
Em 2007, por acaso, Elodie Maillot, uma jornalista francesa, descobre, em Paris, uma das raras reedições de álbum do grupo e resolve ir até Cotonou para entrevistar o Tudo Poderoso. Mas chegando lá, não encontra, quase não tem mais bars musicais, se as pessoas se lembram do nome do grupo, nenhuma pista permite de encontrar eles… Ela tenta então uma ultima tentativa: a festa da independência, na cidade de Abomey, perto de Cotonou. E lá que Elodie encontra os sobreviventes do grupo Poly-Rythmo, tocando na comemoração.
A entrevista é marcada para o dia seguinte. O Tudo Poderoso faz então um pedido a ela: “Você será nossa empresária e nos levara em turnê fora da África”. O grupo, apesar do seu grande sucesso antigo, nunca tinha saído do continente…
Elodie cumpriu sua promessa, levando o grupo aos 4 cantos da planeta, de Paris a Nova York, passando pelo Brasil ou pelo Canada….
E em 2011, foi o lançamento do seu novo álbum, depois de 25 anos de quase silencio. Com regravações de antigos hits e novas composições, o álbum perpetua a receita magica do grupo com seu groove funk, soul e afro-beat… O disco conta também com a participação da grande Diva do continente africano, a beninesa Angélique Kidjo, e da jovem esperança da World Music, a cantora maliense Fatoumata Diawara.

Mais informações: http://www.polyrythmo.com/

Feliz Dia Mundial da África!

Publicado: 25 de maio de 2012 por Stephanie Malherbe em # África
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Hoje, dia 25 de maio, é o dia mundial da África, em comemoração do aniversario da assinatura dos acordos da OUA (Organização da Unidade Africana, substituída desde 2002 pela UA, a União Africana) no dia 25 de maio de 1963. O objetivo da OUA era a promoção da solidariedade e da Unidade dos países africanos e a erradicação do colonialismo, ainda presente no continente nessa época.
O dia mundial da África, feriado em todos os países africanos, representa o símbolo do combate de todo o continente africano para sua libertação, emancipação, desenvolvimento e progresso.
No nível internacional, é a ocasião de se lembrar que a África é o berço da Humanidade, sendo a mãe de vários povos, línguas, religiões e tradições pelo mundo… Apesar de todos os maus que ela sofreu e ainda sofre, tendo sido devastada pela escravidão e pela colonização, sem falar do neocolonialismo que ainda existe, do problema fundamental do acesso a agua, das guerras, fome, AIDS, etc…
A equipe de Conexão África deseja então um feliz dia da África a nossa velha mãe África, a todos os países desse rico continente, a todos seus povos, e a todos os afrodescendentes espalhados pelo mundo!
Para abrir esse post muito especial, escolhemos a musica África Nossa, interpretada pela Diva cabo-verdiana Cesaria Evora (falecida em dezembro) e pelo cantor senegalês Ismaël Lô. Essa musica simboliza bem esse espirito de solidariedade e de união entre todos os países africanos que caracterizou a criação da OUA no dia 25 de maio de 1963. E encerramos com a musica Africa, do musico maliens Habib Koité:

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Primeiro de uma família de 9 filhos, Seydou Koné nasceu em Dimbokro em 1953 e teve uma infância feliz, criado pela  avó Chérie Coco, que o adorava.

De 1962 a 1972, o menino mora com sua mãe em  Odjenné, estudando na escola e tocando musica com uma banda de amigos nos fins de semana. Acaba sendo expulso do colégio em 1972 e vai para Monrovia, no Liberia, para acabar seus estudos e aprender a língua inglesa. Para se aperfeiçoar nessa língua, Blondy (apelido que ganhou nesses anos, derivado da palavra bandido) vai para Nova-York, aonde ele vai descobrir, em 1977, o reggae, durante um show dos jamaicanos Burning Spear em Central Park.

Dificuldades financeiras, tentativa abortada de lançar um disco, apesar de ter tocado em primeira parte de vários grupos, sua experiência americana é um fracasso e Seydou Koné volta para sua terra natal em 1980, numa situação psicológica extremamente difícil.  

Dormindo na casa de amigos, Blondy ensaia com músicos ganeses no gueto de Adjamé e decide ser chamado de Alpha, como sinal de um novo recomeço.

Em 1981, seu velho amigo Roger Fulgence Kassy o convida a participar do programa que ele apresenta na TV da Costa do Marfim, “Première chance” (Primeira chance em português). Ele avisa: “Você vai ver, amanha sua vida vai mudar”. Para Alpha Blondy, que já tem 30 anos, essa participação no “Première chance” parece mais com sua ultima chance. O programa é um sucesso e ele grava em seguida seu primeiro álbum, “Jah Glory”, lançado em 1983, que comporta o titulo “Brigadier Sabari”, uma denuncia em dioula das violências policiais, inspirado de um evento que ele presenciou.

“Brigadier Sabari” vai se tornar um enorme sucesso na Costa do Marfim, a começar pelos bairros mais populares de Abidjan, e no continente africano e Alpha Blondy, considerado como a voz dos sem vozes, passa a ser chamado de “Marley da África”. Rapidamente, sua fama ultrapassa as fronteiras do continente africano e chega na Europa. E o inicio de uma carreira internacional gloriosa, de Kingston a Jerusalem, de Marrakesh a  Abidjan, etc…

Estrela internacional, artista super carismático no palco, porta-voz do reggae africano e militante da paz, espiritual, Alpha Blondy é também um artista polemico e difícil a entender.

Em 30 anos, as musicas do Alpha Blondy vincularam no mundo inteiro seu misticismo e seu recado de paz e de justiça e suas preocupações para o continente africano.

O artista congolês Jupiter Bokondji, líder do grupo Okwess International, lança, aos 50 anos, seu primeiro CD, “Hotel Univers”, depois de mais de trinta anos de sobrevivência no gueto. Descoberto em 2006 pelo publico internacional graças ao documentário “Jupiter´s Dance”, realizado pelos franceses Florent de la Tullaye e Renaud Barret, Jupiter Bokondji é o herói do seu bairro, o gueto de Lemba, aonde ele é também chamado o “general rebelde”. Falando de Lemba, o artista que muitos no mercado da world music já consideram como a revelação do ano 2012, falava no filme: “20 anos que eu tento sair minha musica do gueto”:

Se muitos artistas congoleses escolheram de fugir da RDC, destruída pela corrupção e pelas guerras, Jupiter resolveu ficar, ele que passou parte da sua infância na Alemanha aonde seu pai diplomata foi nomeado nos anos 70. E forte dessa experiência de exilio que ele voltou nos anos 80 em Kinshasa e descobriu a diversidade musical do Congo. Jupiter cria então um estilo musical inovador, uma musica de “pesquisa” segundo ele, o “bofenia rock”.

Jupiter e seu grupo Orkwess International tem um estilo próprio, inovador, urbano, um estilo que canta a cidade de Kinshasa e que valoriza a riqueza musical da RDC, um pais que, como Jupiter gosta de lembrar, tem mais de 450 etnias.

Carismático, Jupiter, grande conhecedor das musicas congolesas, transmete sua sabedoria para as jovens gerações, os “pequenos Jupiter” como ele chama eles, incentivando assim a preservação e o renascimento do patrimônio musical congolês, que ele considera como a fonte de todas as musicas do mundo.