Posts com Tag ‘musica africana contemporanea’

dobet gnoharé

Dobet Gnahoré participou ontem do show excepcional organizado pela diva do Benim Angélique Kidjo no festival de jazz de Montreux: Angélique Kidjo and friends, Women All Stars, com a cabo-verdiana Lura, as beninesas do trio Teriba e a cantora de origem nigeriana Asa.

Cantora, bailarina e percussionista, a artista marfínea que herdou da força das tradições do Bété do seu pai Boni Gnahoré, cantor e mestre percussionista, foi criada na aldeia artística Ki Yi Mbock, dirigida por Werewere Liking. Um lugar cheio de artes de madrugada até a noite que a influenciou muito.

Dobet acaba de lançar um novo clipe, Afrika, uma linda homenagem ao continente africano:

Abandonada por sua mãe no seu nascimento, Dobet Gnahoré foi criada no campo pela avó paterna que era cultivadora de arroz. Aos 7 anos, ela se instala na aldeia artística Ki Yi M´Bock, em Abidjan, onde seu pai era Mestre percussionista e morava junto com uma centena de pessoas, bailarinos, músicos, pintores, escultores, costureiros, cozinheiros de varias nacionalidade… Magico! No inicio, ela tenta ir para a escola junto com as outras crianças, mas ela encontra dificuldades porque no campo não se falava francês (ela se formará mais tarde, de maneira autodidata). Então, com 12 anos, ela comunica a seu pai seu desejo de dançar e cantar. E assim que começou sua formação, os adultos ensinando aos mais jovens, isso com um ritmo extremamente puxado, começando as vezes antes das 5 da manha. Se ela chorava muito, na aldeia Ki ela aprendeu a força da vontade, o trabalho, a perseverança e a esperança. Com 16 anos, Dobet integra a famosa companhia de dança contemporânea TchéTché de Béatrice Kombé. Em 1999, Dobet tem 17 anos e se instala na França com seu esposo, o musico francês Colin Laroche de Féline. E là que eles vão gravar, em 2000, uma demo com os conselhos e o apoio de Ray Lema e Lokua Kanza. Eles começam a tocar nos festivais e nos teatros. Em 2003, uma editora assina um contrato com ela, e em 2004 é lançado o primeiro disco, Ano Neko, do nome da sua antiga dupla com Colin. Colin continua trabalhando com ela, mas o projeto é assinado Dobet Gnahoré e é integrado por outros músicos.

Depois de ter participado do projeto “Acoustic Africa” com Habib Koïté e Vusi Mahlasela, que leva ela nA Europa, nos Estados Unidos e na África, Dobet grava em 2007 seu segundo álbum, Na Afriki (minha Africa). Em 2009, Dobet é convidada por Angélique Kidjo a participar da homenagem a Myriam Makeba junta com outras artistas africanas. Em 2010, ela ganha um Grammy Awards com a cantora norte americana India Arie e lança seu terceiro álbum, Diekna la vou (crianças do mundo), continuando suas turnês pelo mundo.

Depois de ter participado de outros projetos coletivos, ela lança seu quarto álbum em 2014, praticamente integralmente escrito por ela, fora o titulo Na Drê, escrito pelo congolês Lokua Kanza:

Deliciosa mistura de sonoridades pan-africanas urbanas e tradicionais, sua voz, seu carisma e sua presença cênica encantam o publico. Defensora do pan-africanismo, Dobet canta em varias línguas africanas, bété, fon, baoulé, Lingala, malinké, mina, bambara, swahili, xhosa e wolof, evocando as feridas, mas também as riquezas e as eséranças do continente africano. Engajada, com discursos de defesa da paz, das crianças e das mulheres, Dobet foi promovida em 2014 Embaixadora dos direitos humanos pelo governo da Costa do Marfim, junta com o cantor do grupo Magic System Salif Traoré, o A´Salfo. Mas Dobet não fica só na teoria. A artista que não se esqueceu das dificuldades da sua infância, do abandono materno e da importância do esforço, criou uma ONG, Baara, que ajuda a recolher dinheiro para um orfanato de meninas em Grand-Bassam.

Smarty
Antigo rapper do grupo Yeleen, Smarty se lança agora numa carreira solo com o lançamento do seu album Afrikan Kouleurs, que faz a unanimidade da crítica e já ganhou prêmios como o prêmio do melhor clipe para “Le chapeau du chef”, no prêmio Kundé 2013.

É em 2000 que nasceu o grupo Yeleen, que significa Luz em língua bambara, encontro de Louis Salif Kikieta alias Smarty, do Burkina Faso, e de Célestin Mawndoé, do Chade. O sucesso da dupla é imediato, depois de lançar seu primeiro álbum, Juste 1 peu 2 Lumière em 2001, a dupla é nomeada, em 2002, nos Kora Music Awards 2004, na categoria Melhor grupo africano. Em 2004, Yeleen dá um show para 20 000 pessoas no estádio Municipal de Ouagadougou, e em 2007, ganha o Kundé de Ouro. Com álbuns lançados, o grupo é A referencia do rap no Burkina Faso e no continente africano.
Em 2011, Smarty deixa Yeleen, uma decisão mal entendida pelos fãs. Passando por uma crise profunda, Smarty anuncia em musica, no Youtube, que ele abandona a carreira musical…

Em janeiro 2012, ele provoca uma grande emoção com uma pequena aparição no Saga Musik de Ouagadougou. E em novembro 2012, depois de meses de gravação com artistas africanos, entre o Burkina e o Mali, Smarty lança seu primeiro álbum solo, Afrikan Kouleurs, que acabou de vencer o prêmio découvertes RFI.
Se afastando do rap, Smarty canta nesse álbum urbano com uma forte coloração africana. Destaca-se a grande presença (70%) dos instrumentos tradicionais africanos que se juntam ao aspeto muito urbano da musica do Smarty para dar uma identidade africana ao projeto.
O disco, cantado em mooré, jula, francês e inglês, conta com participações como Tiken Jah Fakoly, Soprano ou Dudn´J e trata de temas como a amizade, o amor, a politica (“le chapeau du chef”, que trata da situação atual no Burkina Faso), a esperança…
Muito elogiado pela critica, parece que Afrikan Kouleurs marca o inicio de uma longa e brilhante carreira em solo para o cantor Smarty;

Billy-par-JA
Nascido em Gagnoa, Costa do Marfim, em 1980, o rapper Billy Billy usa sua musica e sua fama para denunciar as elites africanas da Costa do Marfim e falar do dia dia dos seus compatriotas, sempre com humor e impertinência.
O rapper que foi revelado em 2007 com o titulo « Allons à Assakara », uma musica falando do quotidiano dos moradores desse bairro de Abidjan, volta com um CD 4 títulos para epserar até o lançamento do seu terceiro álbum, « Compte-rendu », previsto esse ano. Impertinente e corajoso, esse CD, especialmente a faixa “Lettre au Président”, sua Letra ao presidente Ouattara, já tem um enorme sucesso na Costa do Marfim, com letras do tipo: “… Se um patrão não pode falar a seu encarregado, aqui (…)a gente diz: aonde estamos? Até prova contraria, ele esta aqui porque nos queremos. Então os kpakpatos da presidência, calem a boca, o presidente vai ouvir seu CD.”

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salif keita

Um programa dedicado ao grande artista maliense Salif Keïta, a voz de ouro, com uma entrevista exclusiva do artista para Conexão África! Essa entrevista foi realizada em São Paulo, em junho, aproveitando o show do Salif Keïta no SESC Pompeia, na ocasião da turnê mundial de lançamento do seu ultimo álbum, Talé.
Agradecendo Marcello Lopez, sempre parceiro do projeto Conexão África, que fiz a edição da entrevista, no estúdio da FEBF, em Duque de Caxias, e também o Pablo, aluno em geografia, que teve a gentileza de emprestar sua voz para que a gente pudesse colocar a versão em português da entrevista do Salif Keïta.

durdurband
Difícil de acreditar, mas é verdade: nos anos 80, Mogadíscio, capital da Somália, brilhava em toda a corna da África por causa da sua vida noturna, extremamente rica e vibrante. E Dur- Dur Band era um dos grupos mais populares da região. Misturando ritmos e melodias, Dur-Dur Band criou um estilo único, inimitável.
Esse groove acabou de ser “ressuscitado” pelo blog e label “Awesome tapes from Africa” que remasterizou e reeditou um dos seus álbuns, Dur-Dur Band Volume 5, lançado inicialmente em cassete, em 1987.




pierre akendegue

Com 70 anos, um dos pioneiros da internacionalização da musica africana lança um novo álbum, Destinée, que, aborda temas como a ecologia, a liberdade, a corrupção das elites, a miséria ou a cultura tradicional.

Nascido em 1943 em Aouta (ilha do sul do Gabão),  Pierre Akendégué cresceu num ambiente tradicional, entre pirogas, percussões, cantos, contação de historias em volta do fogo, etc..  Como Akendégué costuma dizer: ele “comeu muita cultura durante a infância”.

Nos anos 60, Pierre Akendégué vai para França para curar uma doença dos olhos. E vai acabar ficando com um estatuto de refugiado. E lá que ele vai se profissionalizar enquanto artista, até explodir nos anos 70 com seus primeiros álbuns lançados pelo Pierre Barrouh, se tornando assim, com Manu Diabango e Francis Bebey, um dos primeiros a divulgar a musica africana na Europa.

“Mas qual África você canta, você que mora na Europa?” pergunta um jornalista. Reação do Pierre Akendégué: ele volta pro Gabon em 1985, aonde ele esta até agora.

Contador de historia, poeta, guerreiro, Akendégué encontra sua inspiração na floresta e na cultura da África eterna.

 

Elemotho
Atualmente em turnê pelo continente africano, Elemotho é um artista namibiano originário do deserto de Kalahari. Com 2 albums lançados, The system is a joke e Human, o jovem artista se define como um “ativista musical”. Misturando as sonoridades da sua terra natal com ritmos folk ou flauta siberiana, Elemotho canta canta sua “afro-fusão” em setswana, ingles e em outras linguas da Namibia.
Iniciada em Accra, no Gana, a turnê levará Elemotho e sua banda por vários países da África até Windhoek, capital do seu país natal, a Namíbia.
E em dezembro, o cantor que ganhou o prêmio “Découverte RFI 2012” lançará um terceiro álbum: Ke Nako (“chegou a hora”). O menino criado no meio do deserto e que conversava com as estrelas se tornou um artista internacional.