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salif keita

Um programa dedicado a voz de ouro do Mali, imensa estrela internacional, Salif Keïta.

Apresentação: Stéphanie Malherbe

Produção: Stéphanie Malherbe (Conexão Africa) e Bira Tomé (Radio Viva Rio)

 

 

MOGOYA : o novo álbum de Oumou Sangaré

Publicado: 22 de junho de 2017 por Stephanie Malherbe em # África, Mali
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OUMOU SANGARE MOGOYA

Oumou Sangaré não tinha lançado disco desde 2009. Coisa feita com Mogoya (que poderia ser traduzido como As relações humanas hoje).

Nascida em 1968 na capital Bamako, Oumou Sangaré é a ultima filha de uma família peul originaria da região florestal do Wassoulou. Seu pai abandonou a família quando a menina tinha apenas 2 anos, obrigando sua mãe, Aminata Diakité, a assumir sozinha os 4 filhos. Oumou ajuda vendendo agua potável pelas ruas… Com 5 apenas 5 anos, a pequena Oumou  se torna uma verdadeira atração no seu bairro em razão do seu talento pelo canto. Ela até leva sua escola a vencer um concurso interescolar de canto.

Com 18 anos, Oumou já é uma verdadeira profissional. Cantora muito apreciada para as Soumous (cerimonias nupciais ou de batizados), ela já passou pelo Ensemble National du Mali, fez uma turnê pela Europa com o grupo Djoliba e esta preste a gravar sua primeira Cassete  Moussolou (Mulheres), imenso sucesso com 250 000 exemplares vendidos, um recorde na África Ocidental!

Sua musica, típica da sua região de origem, o Wassoulou, acompanha textos engajados sobre a condição das mulheres, o êxodo econômico, a deflorestação…

Depois desse primeiro álbum, ela lança Ko Sira (1993) e Worotan (1996) que lançam sua carreira internacional.

Mulher de negocio, Oumou Sangaré tem também um hotel em Bamako, o Wassoulou, sua própria marca de carro, Oum Sang e uma fazenda.

Em 2009, Oumou, lança um novo album, Seya, produzido pelo Cheickh Tidiane Seck, sempre denunciando as injustiças.

Modelo de sucesso para todas as mulheres do continente africano, Oumou Sangaré volta agora ao canto com Mogoya, onde ela fala, entre outros, dos problemas específicos encontrados pelas mulheres africanas. No álbum, Oumou Sangaré faz também uma emocionante homenagem a sua mãe com Minata Waraba (Minata a leoa), essa mulher corajosa que inspirou sua trajetória. Aquela que viveu o abandono do pai e a miséria extrema na infância fala também sobre os maus por quais ela passa hoje por causa do seu sucesso, as calúnias, a inveja… etc.. Fala também do Mali……

Enfim, um lindo presente da grande embaixadora do Wassoulou pelo mundo!

 

Lançamento: Né So, Rokia Traoré

Publicado: 15 de fevereiro de 2016 por Stephanie Malherbe em # África, Mali
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ROKIA Ne so

A diva lança, desde seu Mali natal, Né So, seu sexto album, que significa em casa na língua bambara. Um disco profundo e comovente!

Cantando em francês, inglês ou bambara, a multi-instrumentista, autora e compositora Rokia Traoré alimenta desde seu primeiro álbum, Mouneïssa, uma verdadeira filosofia de vida aliada a uma vontade permanente de renovação. Esse álbum, nascido pouco depois dela quase desistir da carreira musical, exprime a dor ressentida durante seu exilo na Europa depois dos eventos trágicos que conheceu o Mali em 2012. Com Né So, Rokia Traoré expressa as dores dos povos exilados e vitimas de guerra, mas traduz também a beleza de viver num mundo onde a loucura humana nos incita a entrar em conflito. Uma chama da alma, entre mandinga e blues-rock.

Gravado entre Bruxelas e Bristol, o disco reúne tanto artistas da Africa ocidental, como o baterista Moïse Ouatara (Burkina-Faso), o baixista Matthieu N´guessan (Costa do Marfim) ou o tocador de ngoni Mamah Diabaté (Mali) que artistas ocidentais como o guitarrista inglês John Parish, na bateria, ou o italiano Stefano Pilia na direção artística. O álbum conta também com a colaboração de John Paul Jones e do songwriter americano Devendra Banhart.

A musica Né So homenageia os milhares de refugiados vitimas de guerra e começa assim: “Em 2014, encore 5 500 000 nouveaux réfugiés ! 5 500 000 de plus. Encore au 21ème siècle de notre ère, tant de guerres, tant de victimes… Tant de guerres, tant de victimes, tant de tristesse, tant de désarroi » ( Em 2014, ainda 5 500 000 de novos refugiados ! 5 500 000 a mais. Ainda no século 21, tantas guerras, tantas vitimas… Tantas guerras, tantas vitimas, tanta tristeza, tanto desespero)…

 

salif keita

Um programa dedicado ao grande artista maliense Salif Keïta, a voz de ouro, com uma entrevista exclusiva do artista para Conexão África! Essa entrevista foi realizada em São Paulo, em junho, aproveitando o show do Salif Keïta no SESC Pompeia, na ocasião da turnê mundial de lançamento do seu ultimo álbum, Talé.
Agradecendo Marcello Lopez, sempre parceiro do projeto Conexão África, que fiz a edição da entrevista, no estúdio da FEBF, em Duque de Caxias, e também o Pablo, aluno em geografia, que teve a gentileza de emprestar sua voz para que a gente pudesse colocar a versão em português da entrevista do Salif Keïta.

Flyer Salif K
O mostro sagrado da musica maliense e da musica africana em geral, esta de volta no Brasil para o lançamento do seu novo álbum: Talé.
Não percam!!!!! Eu já comprei minha passagem pra São Paulo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Dias 11 e 12 de JUNHO às 21h30 – SESC Pompeia
Choperia
Rua Clélia, 93 | São Paulo/SP
Tel: + 55 11 3871 7700

Bassekou kouyate

Bassekou Kouyate, um dos maiores tocadores de ngoni, esta de volta com um novo clipe, Jama Ko, que acompanha o álbum do mesmo nome que ele lançou recentemente. O video Jama Ko é um grito a favor da tolerância e da paz, com a participação de muitos amigos cristões, muçulmanos, tuaregues, etc…, celebrando a abertura de espirito que caracteriza o Mali.


A encantadora cantora maliense Fatoumata Diawara, que esta bombando na Europa com seus ritmos suaves e suas musicas engajadas, acaba de lançar um novo clipe, Clandestin (Clandestino).
Autora, compositora e interprete, Fatoumata encanta com a suavidade da sua voz acompanhada do seu violão. Estilo puro modernizando a tradição wassoulou, Fatoumata é também uma grande defensora das mulheres do continente, como por exemplo, na sua luta contra a excisão, a qual ela já dedicou uma canção, ela que conhece isso dentro da sua propria pele.
Esse clipe fala dos clandestinos, desses homens que largam suas terras para fugir da miséria e a procura do sonho europeu, tentando a sorte atravessando o mar em pequenos barcos que muitas vezes naufraguem.
Um clipe lindo e emocionante:


Nascida em Bamako, Mamani foi criada por sua avó, uma curandeira tradicional que ela acompanhava e observava enquanto cuidava dos outros com seus búzios e suas seus cantos. A menina cantava enquanto ia pegar agua no poço, e sua avó falou então: “essa menina vai ter uma vida de aventura”. Logo dito, logo feito: Mamani se inscreve no concurso bienal de musica de Bamako, ganha, e integra como corista no prestigioso orquestra Badema Nacional de Bamako, aonde canta também Kassémady Diabaté, uma das mais puras vozes da África ocidental. Com apenas 17 anos, Mamani é engajada por Salif Keïta, que ela acompanha em turnê pela Europa. E assim que a cantora chegou à França, onde ficou 7 anos sem papeis, sem falar uma palavra de francês no inicio e, muitas vezes, em condições de subsistência extremamente difíceis.
Em 2002, Mamani grava seu primeiro disco “Electro Bamako”, que mistura sua linda voz e seu canto em bambara com as sonoridades electros so DJ e produtor Marc Minelli.
Em 2006, novo encontro, novo disco, novas mistura: é o álbum “Yelema”, realizado com a cumplicidade do arranjador e multi-instrumentista Nicolas Repac.

Colaboração que se prolonga no terceiro disco da Mamani, “Gagner l´argent français”, que evoca as dificuldades da emigração, dificuldades que Mamani conhece profundamente.
Esse terceiro disco mistura rock, dub, afrobeat,… Instrumentos tradicionais mandingas conversam com samples, instrumentos chineses ou klezmer, etc…
Cantando geralmente em bambara, Mamani aborda temas da sua terra natal: a honra, o amor, o respeito do outro, a harmonia….
A voz de Mamani, sobre qual Nicolas Repac diz ainda não saber se pertence a “uma menina de 16 anos ou a uma mulher de 80”, ambígua, entre ancestralidade e juventude, fascina sem duvida!!


Se Salif keïta é hoje em dia uma estrela planetária, sua trajetória não foi nada fácil. Pelo contrario…
Foi em 1949, em Djoliba, uma pequena cidade na beira do Rio Niger, no coração do que foi o grande império do Mali, uma região aonde se misturam muitos povos e línguas, Bambara, Malinké, Solinké, etc… que nasceu esse neném albinos, esse negro branco. Um escândalo na família, pois os albinos são suspeitos de trazer mal sorte e de ter poderes maléficos, ainda mais ele, descendente em linha direta do fundador do império do Mali, o grande Sundiata Keïta, no século XIII… O pai rejeita a criança, até mudar de ideia ao pedido de um chefe religioso. Mesmo assim, durante anos o pai não fala com o filho, enquanto a mãe protege e esconde ele. Criança, Salif é objeto de muitas piadas da parte das outras crianças e se refugia nos estudos e no canto. Ele fica horas ouvindo os djélis (griots). Ele canta também, seus gritos para afastar os bichos do gado nos campos se transformando em belos cantos…
Estudioso, Salif sonha de se tornar professor, mas sua mal visão, devida seu albinismo, impede a realização desse desejo. Salif vai então decidir ser musico, o que provoca, mais uma vez, um escândalo na família: Salif pertence a nobreza, e nesta casta não se canta…
Por isso, Salif se afasta da sua família e se instala em Bamako, capital do Mali. Ele chama rapidamente a atenção do saxofonista Tidiané Koné e integra sua banda, o Rail Band de Bamako, que se apresenta diariamente no hotel de la gare… Logo, Salif se torna o cantor principal do Rail Band, que encontra um grande sucesso.
Em 1973, Salif Keïta abandona o Rail Band de Bamako, aonde ele é substituído por Mory Kanté (o futuro “griot elétrico”…) e integra o grupo Les Ambassadeurs, dirigido por Kanté Manfila e que toca no Motel de Bamako (naquela época, todos os hotéis de Bamako tinham sua própria banda). O grupo se apresenta na África inteira e Salif Keïta e Kanté Mantila resolvem se instalar em Abidjan (Costa do Marfim), verdadeira plataforma musical do continente naquela época. E lá que, em 1978, Salif grava seu primeiro álbum, Mandjou, que conta com uma homenagem ao presidente guineense Sekou Touré. O disco é um enorme sucesso.

Segue uma ida com Manfila nos Estados Unidos e a gravação de dois discos: Primpim e Tounkan. Em 1984, Salif Keïta deixa Abidjan e volta pro Mali, para ficar mais perto do seu pai que esta ficando velho. Esse mesmo ano, Salif se apresenta no festival das musicas mestiças de Angoulême e encontra certo sucesso. Salif vai então se instalar na França, em Montreuil, cidade aonde se encontra uma comunidade maliense muito forte. Se no inicio Salif anima festas tradicionais dentro da diáspora, logo a sua carreira internacional vai explodir. Seu álbum Soro, lançado em 1986, encontra um enorme sucesso internacional.
Sua carreira de estrela planetária é lançada, com turnês pelo mundo inteiro, discos, musicas de filmes, muitos encontros, muitas misturas culturais…
Com sua voz única e seu estilo musical, mistura de modernismo e tradição maliense, com instrumentos como a kora ou o balafon, mas também guitarras ou saxofone, Salif Keïta conquistou o mundo.
Salif Keïta é especialmente engajado na causa das crianças albinos, para quem ele abriu a ONG em 1990, e a quem dedicou seu álbum Folon.

Salif Keïta, que voltou a morar no Mali, usa seu sucesso também para ajudar as jovens gerações de artistas, como Fantani Touré ou Rokia Traoré, que passaram por seu estúdio de Bamako, entre outros…
Papa (1999), Moffou (2003), M´Bemba ( “o ancestral”, 2005), La Différence (2009) e agora a antologia, Salif Keïta é um artista consagrado, certamente um dos maiores cantores do mundo, A VOZ de OURO.

Nascido em 1942 em Kayes, no Mali ocidental, numa família nobre, Boubacar Traoré se destinava a uma brilhante carreira no futebol, mas um acidente deu um ponto final a essa expetativa no fim dos anos 50. Dessa primeira fase da sua vida sobrou seu apelido: Kar Kar.
No inicio dos anos 60, Kar Kar se torna uma grande voz da independência, com musicas como Mali Twist, Mariam, Djarabi, etc… Os malienses acordavam todo dia ao som da sua voz melancólica que cantava na radio a independência recém-conquistada do Mali. Boubacar Traoré canta a independência, elogia sua nação e seu presidente, Modibo Keïta. Quando, em 1968, Modibo Keïta é retirado do poder, Boubacar Traoré para de tocar na radio e volta para Kayes aonde trabalha para sustentar seus filhos.
Todos achavam que o Kar Kar estava morto quando, surpresa, em 1987, Boubacar Traoré passa na TV maliense e é a ressurreição: Kar Kar renasce para o publico! Ele grava então um cassete, Mariama, que um produtor inglês descobre e resolve produzir. E o primeiro álbum do Boubacar Traoré, o inicio de um sucesso internacional que perdura até hoje, entre discos e turnês na Europa, na África e na América do norte. Infelizmente essa alegria é acompanhada da perca da sua mulher amada, Pierrette, uma perca que ele canta em todos seus discos.
Porque Boubacar Traoré é isso, é a melancolia inspirada do dia dia, é o canto da tristeza, do amor, das dificuldades da vida etc… O blues do Kar Kar é universal, fora do tempo, inoxidável. Sua musica, de uma beleza infinita, é emocionante, simplesmente.