Posts com Tag ‘reggae africano’

Koko Dembélé: reggae made in Mali

Publicado: 26 de julho de 2018 por Stephanie Malherbe em # África, Mali
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Pilar do reggae malinense ha 25 anos, Koko Dembélé lançou em 2017 Tiéba, seu quinto álbum, com a ajuda da Fundação Passerelle, montada em Bamako pela cantora Rokia Traoré. Com esse novo álbum, Koko alcança uma dimensão internacional bem merecida.

Nascido em 1954 numa familia de griôs, Koko Dembélé é originário de Mopti, no Mali. Criança bobo, ele foi  banhado nas culturas Peul, Dogon e Bozo. Com apenas 7 anos, ele se inicia a percussão e viaja a descoberta das diversas tradições orais do seu país. Em 1976, o jovem Koko Dembélé integra o prestigioso orquestra Dogon “Kanaga de Mopti” do grande Sorry Bamba, o mestre de musica de Amadou Hampaté Bâ. O que incita Koko a dizer que ele é aluno do celebro defensor da tradição oral africana e autor de Amkoullel.

Koko deixa o Kanaga em 1986 e se instala em Abidjan, a cidade onde tem que estar na década de 80. Là, ele conhece o arranjador Boncana Maïga. Dessa colaboração saíra o álbum Baguiné(1992), com a faixa Amagni, que terá imenso sucesso no continente africano e no Brasil, onde ganhará uma versão gravada por Olodum.

Ele gravará mais dois álbuns, em 1998 e 2003, e um em 2005, em Bamako (Mali), com o apoio de Tiken Jah Fakoly, que empresta estúdio e músicos durante uma noite.

Cantando em bambara, dogon, bozo, songhaï ou mais raramente em francês, Koko defende a dignidade e a honestidade, e inspira as jovens gerações, pelo seu talento e pelas suas reflexões.

 

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Pioneiro do reggae marfinense e do reggae da Africa francophone, o Serges Kassy nasceu em 1962 no bairro de Treichville em Abidjan, na Costa do Marfim. O sargento, como é chamado com carinho, criou seu primeiro grupo em 1980, os Roots. Entre 1980 e 1989 de vários concursos musicais organizados pela radio e pela televisão marfinenses.

Em 1990, Serges Kassy grava seu primeiro álbum, “I´m proud”, que encontra imenso sucesso na Costa de Marfim com 100 000 exemplares vendidos no mercado oficial e em torno de 300 000 no mercado paralelo, uma das melhores vendas daquele ano. Serges Kassy se torna o ídolo da juventude.

Laureado do melhor clipe africano nos African Awards em 1990 com “John Bri”, Serges Kassy lança vários sucessos como Cabri mort, jésus, Mougou man e Au nom de Dieu

Na mais pura tradição do reggae de Burning Spear, Peter Tosh ou Bob Marley, o artista engajado acorda um lugar preponderante ao recado.

Muitos dos seus refrães, que ilustram cenas do dia dia, se tornaram expressões populares na Costa do Marfim.

Sensível aos problemas dos jovens do gueto, ele canta a causa do povo negro, suas dores, suas esperanças, suas revoltas…

Apoiador do ex-presidente marfinense Laurent Gbagbo, ele vive na França desde sua destituição e os violentos conflitos que seguiram em 2011, se considerando um exilado. Em 2017, lançou um novo álbum, o primeiro desde seu exilio, Loin des Miens (longe dos meus), nos mercados marfinense e europeu.

 

 

Puppa Lëk Sèn

Publicado: 3 de outubro de 2016 por Stephanie Malherbe em # África, Senegal
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Originário da Ilha de Ngor, no Senegal, o ex rapper se tornou um dos grandes nomes do reggae africano.

Alpha Blondy Brasil2015

Alpha Blondy, a lenda do reggae africano, esta de volta no Brasil para o lançamento do seu novo álbum, Positive Energy! Não percam!!!!!!!!!!

Tiken

Tiken Jah Fakoly esta de volta com um novo single “Dernier appel”, já anunciando o lançamento do seu oitavo álbum em junho. O cavaleiro trocou sua espada de “African Revolution” para um alto-falante, se colocando em defensor de um ideal africano. Sempre militante e ator de mudanças, Tiken lança um recado de união, chamando a reconciliação e a união dos povos. Depois de um ano de pausa, o cantor que recebeu recentemente um disco de ouro para “African Revolution” esta retomando os shows no continente africano.

… E em mais 3 cidades do Brasil!!!!
Alpha Mystic Power

Na ocasião do lançamento internacional do seu novo álbum, Mystic Power, Alpha Blondy estará em turnê pelo Brasil entre o 7 e o 14 novembro. Não percam!!! Datas, a começar pelo Circo Voador no Rio de Janeiro (dia 7 as 22h00), Belo Horizonte (8 de novembro), Salvador (dia 9) e São Paulo (dia 14).




Embaixador da ONU pela Paz, fundador da ONG Jah Glory Foundation e estrela do reggae marfinense desde os anos 80, vencedor do Grammy Award em 2003 (melhor álbum de reggae), Alpha Blondy esta de volta com um novo álbum, o décimo sexto disco!!!!! Aonde, como sempre, ele se reinventa, evitando assim as armadilhas da formatação:
“Fizemos um trabalho maravilhoso com a minha banda Solar
System. Quis inovar, desenvolver o lado rock. Sempre se fala “Roots RockReggae”, mas geralmente somente fica “roots reggae”. Não queria ficarno étnico, no tribal. Queria emendar a dimensão do reggae, alcançar
todos os meus fãs. Neste disco, tem músicas relaxantes, outras com muita guitarra”, diz Alpha Blondy sobre o novo disco.


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Primeiro de uma família de 9 filhos, Seydou Koné nasceu em Dimbokro em 1953 e teve uma infância feliz, criado pela avó Chérie Coco, que o adorava.

De 1962 a 1972, o menino mora com sua mãe em Odjenné, estudando na escola e tocando musica com uma banda de amigos nos fins de semana. Acaba sendo expulso do colégio em 1972 e vai para Monrovia, no Liberia, para acabar seus estudos e aprender a língua inglesa. Para se aperfeiçoar nessa língua, Blondy (apelido que ganhou nesses anos, derivado da palavra bandido) vai para Nova-York, aonde ele vai descobrir, em 1977, o reggae, durante um show dos jamaicanos Burning Spear em Central Park.

Dificuldades financeiras, tentativa abortada de lançar um disco, apesar de ter tocado em primeira parte de vários grupos, sua experiência americana é um fracasso e Seydou Koné volta para sua terra natal em 1980, numa situação psicológica extremamente difícil.

Dormindo na casa de amigos, Blondy ensaia com músicos ganeses no gueto de Adjamé e decide ser chamado de Alpha, como sinal de um novo recomeço.

Em 1981, seu velho amigo Roger Fulgence Kassy o convida a participar do programa que ele apresenta na TV da Costa do Marfim, “Première chance” (Primeira chance em português). Ele avisa: “Você vai ver, amanha sua vida vai mudar”. Para Alpha Blondy, que já tem 30 anos, essa participação no “Première chance” parece mais com sua ultima chance. O programa é um sucesso e ele grava em seguida seu primeiro álbum, “Jah Glory”, lançado em 1983, que comporta o titulo “Brigadier Sabari”, uma denuncia em dioula das violências policiais, inspirado de um evento que ele presenciou.

“Brigadier Sabari” vai se tornar um enorme sucesso na Costa do Marfim, a começar pelos bairros mais populares de Abidjan, e no continente africano e Alpha Blondy, considerado como a voz dos sem vozes, passa a ser chamado de “Marley da África”. Rapidamente, sua fama ultrapassa as fronteiras do continente africano e chega na Europa. E o inicio de uma carreira internacional gloriosa, de Kingston a Jerusalem, de Marrakesh a Abidjan, etc…

Estrela internacional, artista super carismático no palco, porta-voz do reggae africano e militante da paz, espiritual, Alpha Blondy é também um artista polemico e difícil a entender.

Em 30 anos, as musicas do Alpha Blondy vincularam no mundo inteiro seu misticismo e seu recado de paz e de justiça e suas preocupações para o continente africano.

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Nascido em 1966 em Koudougou (Burkina Faso), o pequeno pastor que se tornou uma super estrela da musica depois de anos de galeras na Costa do Marfim antes da sua ascensão fulgurante, continua a influenciar a juventude do seu país, mais de 10 anos depois da sua morte em condições suspeitas.
Black So Man é a trajetória de um artista engajado, que usava sua arte para denunciar os problemas atuais do continente africano. Títulos como Système du Vampire (sistema do vampiro), On s´en fout (A gente não se importa) ou ainda J´étais au procès (eu estava no julgamento) falam da atualidade do continente, corrupção, miséria, prostituição, neocolonialismo, etc… Black So Man, com criatividade e poesia, denunciava de maneira incansável todos os maus que atingem o continente.
Orgulho dos burkinabés e especialmente dos jovens, para quem, ainda hoje, ele representa um exemplo e uma esperança, Black So Man desapareceu em 2002, das sequelas de um acidente suspeito na Costa do Marfim (Acidente ou assassino por causa do seu engajamento politico???).




Um filme contando a historia desse artista emblemático foi lançado em 2012, L´ombre de Black

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Primeiro de uma família de 9 filhos, Seydou Koné nasceu em Dimbokro em 1953 e teve uma infância feliz, criado pela  avó Chérie Coco, que o adorava.

De 1962 a 1972, o menino mora com sua mãe em  Odjenné, estudando na escola e tocando musica com uma banda de amigos nos fins de semana. Acaba sendo expulso do colégio em 1972 e vai para Monrovia, no Liberia, para acabar seus estudos e aprender a língua inglesa. Para se aperfeiçoar nessa língua, Blondy (apelido que ganhou nesses anos, derivado da palavra bandido) vai para Nova-York, aonde ele vai descobrir, em 1977, o reggae, durante um show dos jamaicanos Burning Spear em Central Park.

Dificuldades financeiras, tentativa abortada de lançar um disco, apesar de ter tocado em primeira parte de vários grupos, sua experiência americana é um fracasso e Seydou Koné volta para sua terra natal em 1980, numa situação psicológica extremamente difícil.  

Dormindo na casa de amigos, Blondy ensaia com músicos ganeses no gueto de Adjamé e decide ser chamado de Alpha, como sinal de um novo recomeço.

Em 1981, seu velho amigo Roger Fulgence Kassy o convida a participar do programa que ele apresenta na TV da Costa do Marfim, “Première chance” (Primeira chance em português). Ele avisa: “Você vai ver, amanha sua vida vai mudar”. Para Alpha Blondy, que já tem 30 anos, essa participação no “Première chance” parece mais com sua ultima chance. O programa é um sucesso e ele grava em seguida seu primeiro álbum, “Jah Glory”, lançado em 1983, que comporta o titulo “Brigadier Sabari”, uma denuncia em dioula das violências policiais, inspirado de um evento que ele presenciou.

“Brigadier Sabari” vai se tornar um enorme sucesso na Costa do Marfim, a começar pelos bairros mais populares de Abidjan, e no continente africano e Alpha Blondy, considerado como a voz dos sem vozes, passa a ser chamado de “Marley da África”. Rapidamente, sua fama ultrapassa as fronteiras do continente africano e chega na Europa. E o inicio de uma carreira internacional gloriosa, de Kingston a Jerusalem, de Marrakesh a  Abidjan, etc…

Estrela internacional, artista super carismático no palco, porta-voz do reggae africano e militante da paz, espiritual, Alpha Blondy é também um artista polemico e difícil a entender.

Em 30 anos, as musicas do Alpha Blondy vincularam no mundo inteiro seu misticismo e seu recado de paz e de justiça e suas preocupações para o continente africano.


Tiken Jah Fakoly, o reggae revolucionario
Figura incontornável do reggae africano, Tiken Jah Fakoly é também o porta-voz da jovem geração da África ocidental frente às dificuldades politicas. Pan-africanista convencido, artista engajado, cantor carismático, Tiken Jah Fakoly conquistou um vasto publico tanto no continente africano que na Europa e nos Estados-Unidos.
Nascido em Odienné, no norte-oeste da Costa do Marfim, em 1968, Tiken Jah Farkoly é o terceiro filho de uma família de griots e o descendente de um grande chefe guerreiro malinké, Fakoly Koumba Fakoly Daaba. Naturalmente atraído pela musica desde cedo, Tiken monta seu primeiro grupo, Djelys, por volta de 1987, com qual vai conhecer uma certa notoriedade.
Nos anos 90, o grupo Djelys (djelys significa griots em malinké) e Tiken conhecem muito sucesso na Costa do Marfim e lançam seus primeiros álbuns. O pais esta passando por uma fase de muita violência depois da morte de Houphouët Boigny, que reinou na Costa do Marfim de 1960 a 1993. E nessa época que Tiken Jah Fakoly escreve seus primeiros textos sobre a situação politica, que ele denuncia, o que lhe vale uma grande popularidade na juventude. Em 1996, Tiken escreve o titulo Mangercratie, um texto reivindicando regimes políticos, “craties”, assegurando os direitos do povo, incluído o direito de comer, e não o contrario.
Apesar das tentativas de censura, esse álbum é a fonte do seu enorme sucesso, em solo agora, na Costa do Marfim. Tiken Jah Fakoly participa de todos os festivais nacionais, e pouco a pouco conquista também os palcos europeias, africanos e norte-americanos.
“Cours d´Histoire”, “Le Caméléon”, “Françafrique”, “Coup de gueule”, “L´Africain” ou “African Revolution”, seu ultimo álbum lançado em 2010, tantos discos de revolta, tantos textos de denuncia, da corrupção da elites, do neocolonialismo, chamando o povo africano a se levantar e se mobilizar…
Textos engajados, ações engajadas, como os shows “Um show, uma escola”, que Tiken organizou em vários países africanos, usando os benefícios para a construção ou a reabilitação de uma escola, discursos também, o que lhe valeu 5 anos de exilio em Bamako, e de ser mais recentemente considerado pessoa non grata no Senegal de Abdoulaye Wade depois das suas declarações pedindo ao presidente senegalês de se retirar do poder (nota: depois de um processo democrático, A. Wade não foi reeleito e deixou o poder).
Disco de ouro, artista premiado, dono de um bar em Bamako e de um estúdio de gravação, Tiken Jah Fakoly é hoje um artista consagrado e reconhecido no mundo inteiro.
Corajoso, militante, talentoso, Tiken Jah Fakoly lançou em 2010 um álbum bem diferente dos seus precedentes discos, com sempre as suas temáticas prediletas, mas gravado pela primeira vez no seu estúdio de Bamako, depois de ter colocado as rítmicas nos místicos estúdios Tuff Gong na Jamaica, um disco que mistura o reggae com sonoridades africanas, o som magico dos instrumentos tradicionais mandingue como o ngoni, a kora, o soukou ou o balafon.
Chamando a juventude a se conscientizar, a ir para escola (“Go to school, Brothers… inteligente revolution is African education” : Vão para escola irmãos, a revolução inteligente é a educação africana), denunciando como sempre a corrupção das elites (“Je ne veux pas ton pouvoir, pas besoin d´argent, je ne veux pas de ta gloire, je veux l´espoir”:eu não quero seu poder, não precisa de dinheiro, não quero sua gloria, quero esperança), esse disco é também um grito de tristeza, como a canção Vieux père que denuncia o desemprego massivo e a mendicidade: “Je suis revenu après 5 ans d´exil, des millions de jeunes sans boulot, tous la main tendue…” (Voltei de pois de 5 anos de exilio, milhões de jivens sem emprego, de mão esticada).
Um disco entre tradição e modernidade, como o continente africano.